por paulo eneas
Em segmento de vídeo que circula nas redes sociais, o ministro da Economia, Paulo Guedes, faz uma defesa enfática da agenda liberal na economia que foi aprovada nas urnas, e condena as tentações populistas que podem trazer benefícios eleitorais imediatos mas que são deletérias para o país no longo prazo.

Paulo Guedes lembra que o eventual descumprimento da norma de limite de gastos públicos, o chamado furo do teto, representa o aumento de um ponto percentual em juros, o que acarreta um gasto adicional de R$ 80 bilhões anuais, que simplesmente “somem” com o custo da dívida pública. Esse montante representa duas vezes e meia o custo anual do Bolsa Família.

No vídeo, que pode ser visto mais abaixo, Paulo Guedes ressalva que a eventual elevação dos gastos públicos para além do teto é justificável em uma situação de pandemia, pois trata-se de medida excepcional para salvar vidas. No entanto, ele contrasta afirmando que furar o teto como política deliberada visando resultados eleitorais constitui-se em uma irresponsabilidade com as futuras gerações.

A fala de Paulo Guedes foi um retrato enfático do momento em que fica claro a existência dentro do governo de uma agenda econômica distinta da agenda liberal do “Posto Ipiranga” aprovada nas eleições de 2018.

Esta outra agenda, capitaneada por figuras como o ministro Rogério Marinho e ministros militares, apresenta um claro viés neo-keynesiano: propensão a aumento dos gastos públicos, com pouca ou nenhuma ênfase a privatizações ou redução do Estado, além da concepção do Estado como indutor do desenvolvimento econômico. Trata-se basicamente do mesmo modelo econômico do regime militar e que foi reproduzido em parte durante a era petista.

O fato de já algum tempo Paulo Guedes ter deixado de ser a única voz a falar de economia em nome do governo, e ter passado a dividir esse papel com o próprio Rogério Marinho e até mesmo com o líder do centrão e líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros, é sintomático desta tensão existente hoje no governo sobre as linhas mestras da política econômica. Uma tensão que materializa-se, por exemplo, nas indefinições a respeito do programa Renda Brasil ou Renda Cidadã.

O governo não pode permitir que sinais ambíguos continuem sendo emitidos em relação a economia. O Presidente Bolsonaro necessita restabelecer com clareza que, além obviamente dele próprio, somente Paulo Guedes fala sobre a política econômica do governo. A disputa aberta que existe hoje entre duas concepções distintas de política econômica é prejudicial ao governo e principalmente ao país, de modo que é necessário que o Presidente da República restabeleça a voz de comando.



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