A médica Carolina Reis de Abreu Schmitt explica que as máscaras não previnem a transmissão de doenças respiratórias em larga escala e podem provocar problemas de saúde.

por rodolfo haas
Apesar de toda a insistência da Organização Mundial da Saúde (OMS) a respeito do uso de máscaras, e da instauração de leis exigindo seu uso em ambientes públicos ou mesmo ao volante, não existe nenhuma comprovação de que elas sejam eficazes. Ao contrário, há indícios de que apresentem riscos para a saúde. Ainda que o tema cause polêmica na comunidade médica, é possível que o uso por tempo prolongado provoque inclusive quadros de hipóxia, a diminuição das taxas de oxigênio no sangue e nos tecidos.

É o que afirma a médica Carolina Reis de Abreu Schmitt, formada pela Fundação Universidade Regional de Blumenau, membro do Médicos pela Liberdade e que atua na cidade de Gaspar, em Santa Catarina. Na entrevista, ela explica o que se sabe sobre as máscaras, e sobre o que funciona, de fato, para reduzir o risco de transmissão.

[Em tempo: A conversa com o professor faz parte de um esforço do movimento Docentes pela Liberdade (DPL) em trazer pensadores competentes e capazes de agregar análises relevantes para o cenário nacional. As opiniões expressas na entrevista não reproduzem, necessariamente, as posições do DPL.]

Existe alguma comprovação de que máscaras são eficazes para evitar o contágio de Covid-19 ou qualquer outra doença viral?
As informações são limitadas quanto ao uso de máscaras como prevenção à transmissão de infecções respiratórias. Existem apenas estudos observacionais, que têm sua importância, porém não permitem estabelecer uma relação direta de causa e efeito, e mesmo estes, são contraditórios. Existem duas metanálises publicadas recentemente sobre o assunto [disponíveis neste e neste link], uma sugerindo que máscaras e outras medidas como distanciamento social, protegem contra a infecção (esta financiada pela OMS) e outra sugerindo exatamente o oposto. Nem máscaras e nem higienização frequente das mãos seriam suficientes para reduzir de forma significativa o contágio.

Máscaras podem provocar danos?
Não se sabe ainda se o uso prolongado de máscaras pode acarretar em algum prejuízo na saúde das pessoas. Estes possíveis efeitos dependeriam do material que elas são feitas e de quão justas elas ficam no rosto das pessoas. O uso de máscaras não adequadas (como as não dimensionadas para uso profissional, como as caseiras de pano) pode acarretar em cefaléias, acumulação de dióxido de carbono e, nos casos de uso contínuo, até mesmo hipóxia. Após uma hora de uso de máscara já é possível observar redução de saturação de oxigênio.

Na prática clínica os resultados corroboram com estes achados, já que muitos pacientes apresentam ao exame físico saturações de oxigênio reduzidas quando o exame é realizado com a máscara. Também tenho presenciado e ouvido relatos de colegas, de aumento de queixas de dispepsia, lesões de pele e cefaléia relacionadas ao uso do artefato.

Temos visto algumas matérias jornalísticas recentes aventando a possibilidade de que acidentes automobilísticos e até a morte de crianças e adolescentes poderiam estar ligados à hipóxia causada pelas máscaras. Ainda não temos esta resposta, mas não se pode descartar essa hipótese.

Em última instância, a hipóxia pode levar a piora de comorbidades pulmonares e cardiovasculares, bem como à queda da imunidade, deixando o usuário mais susceptível ainda a infecções oportunistas. Afora os danos potenciais à saúde do usuário, a recomendação ampla do uso de máscara pode ter consequências graves no âmbito econômico, psicológico e até ambiental.

Não sendo corretamente higienizadas e substituídas, podem acabar se tornando mais um foco de contaminação, pois pode-se supor que o vírus sobreviva em sua superfície por aproximadamente sete dias, e que sujeira, calor e umidade favorecem o crescimento de bactérias.

Como visto acima, não se têm evidências robustas ainda que comprovem a utilidade do uso de máscaras em larga escala pela população e há alguns indícios de que possam até mesmo trazer prejuízos à saúde.

O que queremos com isso é levantar uma questão importante, que antes de autoridades responsáveis por tomarem as decisões resolvam praticar ações que impliquem em interferir na liberdade individual dos cidadãos, estas sejam discutidas em conjunto com a sociedade com transparência e embasamento.

As máscaras de pano que a população tem utilizado, sem nenhum treinamento, são mais eficazes, ou talvez mais perigosas, do que as máscaras utilizadas por profissionais de saúde?
A meu ver são mais perigosas. Um aspecto importante a se considerar é que, o uso de máscaras gera uma falsa sensação de segurança na população, principalmente naqueles assintomáticos. A tendência é não respeitarem tanto outras medidas, sabidamente mais eficazes, como o distanciamento social e higienização frequente das mãos.

Temos visto na prática que as máscaras não são corretamente higienizadas e não são trocadas com a frequência devida. A própria efetividade das máscaras não-médicas depende em grande parte do material que são feitas, quão justas ficam ao rosto e da maneira de usá-las.

Os profissionais da saúde recebem treinamento específico para o uso adequado de EPIs, enquanto que a população leiga não sabe manuseá-los corretamente e com segurança. Existe ainda outro agravante, a frequência com que uma pessoa leva a mão ao rosto (aproximadamente 15 vezes por hora) tende a ser mais frequente com o uso destes utensílios, aumentando consideravelmente o risco deste acabar infectado. As máscaras ainda perdem sua eficácia quando úmidas, o que ocorre após 30 minutos com o vapor produzido pela respiração.

As máscaras caseiras ou de pano não protegem o usuário de inalar o vírus. O intuito delas seria o de proteger o ambiente daqueles infectados, impedindo que estes espalhem aerosois contendo vírus com sua respiração, mas apenas de forma limitada. Porém, considerando que aproximadamente 80% dos infectados são assintomáticos ou oligossintomáticos, estes praticamente não possuem vírus detectável nas vias aéreas, o que torna o uso destas, inócuo para evitar a transmissão.

As pessoas têm utilizado a máscara corretamente? Elas substituem as máscaras com a frequência adequada?
Não. Vemos pessoas reutilizando máscaras descartáveis, ou utilizando máscaras de pano por uma semana, ou tocando as máscaras, ou utilizando com o nariz para fora.

Existem outras formas mais eficazes e seguras de evitar o contágio de Covid-19?
Ao que tudo indica, as medidas que já conhecíamos e orientávamos para conter outras infecções respiratórias parecem ser as mais eficazes, como distanciamento social (ninguém em sã consciência abraça e beija a avó, por exemplo, quando está gripado, certo?), higienização frequente das mãos e etiqueta respiratória, como cobrir o rosto com o antebraço ao tossir ou espirrar.

Afinal, já que temos que usar as máscaras, qual é o jeito correto de usá-las?
• Sempre higienizar as mãos antes de colocar ou retirar as máscaras e após retirá-las.

• Ao manuseá-las, sempre segurar pelos elásticos. Evitar tocar em outras partes da máscara. Ajuste de forma a minimizar os espaços vazios entre o rosto e a máscara. Uma vez colocadas, não tocar mais em seu rosto. Se o fizer, lave as mãos antes e depois.

• A máscara deve cobrir completamente a boca e o nariz (e não apenas a ponta). Estas devem ficar justas à face. Barbas são um problema neste caso. O correto é que elas sejam aparadas rente ao rosto para que a máscara fique a mais justaposta possível, já que sua intenção é de servir de barreira.

• Sua parte interna não deve ter contato com outras partes do corpo ou roupa e objetos potencialmente contaminados. Quando estiver em local que seu uso não é obrigatório, a máscara não deve ficar “descansando” sobre seu queixo e pescoço. Guarde-a.

• As descartáveis, como o nome já indica, não devem ser reutilizadas.

• As máscaras de uso não profissional não deveriam ser utilizadas por muito mais de uma hora, devido à umidade resultante da nossa respiração.

• Máscaras reutilizáveis, como as caseiras de pano, devem ser lavadas diariamente para não servirem como mais um foco de contaminação. Devem ser bem lavadas, com água quente e substância alvejante e passadas à ferro. Não sendo possível, podem ser lavadas à mão e secas em ar ambiente. Não devem ser utilizadas úmidas.

• Danos ou sujeiras visíveis são bons indícios de que você deveria substituir sua máscara por outra nova.

Rodolfo Haas é jornalista colaborador do Movimento Docentes Pela Liberdade


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