por paulo eneas
A grande e velha imprensa brasileira está dando desde ontem (08/10) demonstrações explícitas de seu analfabetismo funcional ao repercutir a fala do Presidente Bolsonaro a respeito da Lava Jato. Em uma cerimônia nesta quarta-feira no Palácio do Planalto, o presidente fez a seguinte afirmação em dado trecho de sua fala:

“Eu quero dizer a esta imprensa maravilhosa nossa, que eu não quero acabar com a Lava Jato: eu acabei com a Lava Jato, por que não tem mais corrupção no governo.”

Bastou esta fala, cujo sentido irônico deveria ser óbvio, para observamos uma reação histérica da grande e velha e “maravilhosa” imprensa que, tomando a fala do presidente no seu sentido literal, passou então a disseminar a versão de que o governo teria de fato “acabado” com a Lava Jato e abandonado o compromisso de combate à corrupção.

O jornalista Mario Sabino, do blog O Antagonista, foi patético o bastante para afirmar que a fala do Presidente Bolsonaro representaria uma suposta auto-delação. Um comentário que obviamente delata o desprezo do jornalista pela inteligência média de seu próprio público.

Até mesmo o respeitável e experiente jornalista Jose Roberto Guzzo, em um momento de descuido, reagiu tomando a frase do presidente na sua literalidade para, paradoxalmente, mostrar com argumentos corretíssimos que a frase não pode ser tomada no seu sentido literal.

Obviamente a ironia usada pelo Presidente Bolsonaro para dizer que, no âmbito do Governo Federal, a Lava Jato não teria “o que fazer” e portanto poderia acabar, uma vez que não há registro de corrupção no governo nesses quase dois anos, foi miseravelmente mal interpretada, seja por má fé ou por analfabetismo funcional, ou ambos.

Como observou corretamente José Roberto Guzzo, nenhum presidente pode “acabar” com uma operação de investigação policial, ainda que hipoteticamente assim o quisesse. A Lava Jato é conduzida pela Polícia Federal e Ministério Público Federal, órgãos que possuem autonomia funcional, e supervisionada pela justiça.

Portanto, a ideia de que o chefe de governo pode “acabar” com a operação, como é trombeteado quase diariamente por veículos como O Antagonista, não passa de narrativa para fins de guerra política. Deve-se, isto sim, observar que se existe algo que de fato não acaba, mas limita a eficácia da investigação dos crimes de corrupção no Brasil, é justamente o Poder Judiciário com seu garantismo.

Por outro lado, a maneira pela qual repercutiu a fala irônica do presidente mostra também que o uso da ironia pode muitas vezes comportar riscos, uma vez que parcela apreciável do público, incluindo principalmente a classe jornalística, padece de um analfabetismo funcional resultante de décadas de educação freireana construtivista, que limita sua capacidade de intelecção de um texto escrito ou falado.



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