por mayalu felix
A esquerda acha que qualquer brasileiro, por ser negro, deve estar ligado constantemente às suas “raízes africanas”. Não importa o quanto a pessoa já tenha de miscigenação e o quão distante seja seu antepassado africano: ela precisa relembrar eternamente essas tais “raízes”. Vejam meu caso: sei que tenho um bisavô português e outro libanês.

Certamente, tenho ascendentes africanos, mas não sei precisar quais. Ninguém cobra de mim usar roupas portuguesas típicas para sair dançando o vira no meio da rua. Nem tampouco fazer a dança do ventre e usar véu, para relembrar as minhas “raízes libaneses”. Não me pedem para fritar quibe nem a receita do tabule no meio do trânsito, quando o sinal fecha.

O problema do negro é que a cor de sua pele o escraviza, literalmente, a ter “raízes africanas”, não importa se seus bisavós já tenham sido brasileiros, se não goste de samba ou se jamais tenha estado na África. Se você é negro, amigo, perdeu.

Aliás, se é mestiço e tem uma parte da família branca, perdeu do mesmo jeito: você será obrigado a cavar suas raízes africanas, se vire. Pouco interessa se seu estilo musical preferido for música erudita. Aliás, se for, prepare-se para entender que negros não têm esse direito: só podem gostar de Marcelo D2, Ludmilla, Sandra de Sá e Alcione.

Negro que gosta de música erudita não honra suas “raízes africanas”, obviamente, e é um traidor da raça. Porque para a esquerda, o que interessa não é o que você sente, o que você pensa, suas escolhas, seus gostos, decisões, subjetividade e peculiaridades: você é só um preto e sua cor é a coisa mais importante em você, a única coisa que o diferencia como ser humano.

Ainda que você tenha nascido no Brasil, nem mesmo de brasileiro você pode ser chamado. Você é um “afro-brasileiro”, e seus filhos assim o serão, porque serão pretos como você. Brasileiros são apenas eles.

Mayalu Felix é formada em Letras pela UnB, tem mestrado em Sciences du Langage pela Université de Nanterre Paris Ouest La Défense, e Doutorado em Letras/Sciences du Langage pela UFF/Université de Nanterre Paris Ouest La Défense. É escritora e professora universitária.


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