por paulo eneas
O imbróglio envolvendo o anúncio oficial feito pelo Ministério da Saúde e pelo próprio ministro Eduardo Pazuello esta semana, informando da assinatura de um protocolo de intenção de compra de 46 Milhões de doses da vacina chinesa, chegou ao fim com a decisão do Presidente da República de que o Governo Federal não irá comprar esta vacina.

A decisão do presidente foi informada pelo Crítica Nacional ainda na manhã de quarta-feira (21/10) em nota que pode ser vista nesse link aqui. Ainda na quarta-feira, um pouco mais tarde, o próprio presidente confirmou esta decisão em um publicação em sua rede social que o Crítica Nacional também divulgou em nota, que pode ser vista neste outro link aqui. Nesta nota, o Presidente Bolsonaro foi taxativo ao dizer que o povo brasileiro não será cobaia de ninguém.

No decorrer daquela mesma quarta-feira, e também ao longo da quinta-feira (22/10), circularam informações desencontradas a respeito de se tal protocolo de intenção de compra havia ou não sido assinado. Também surgiram especulações a respeito de uma possível saída do ministro Pazuello, uma vez que ele foi concretamente desautorizado pelo presidente.

Presidente decide manter o ministro Pazuello
As dúvidas sobre a permanência ou não do ministro Pazuello foram dissipadas ontem (22/10) durante uma live (transmissão ao vivo) que o presidente fez com o próprio ministro, que foi diagnosticado com covid e está sob tratamento. Durante esta transmissão ao vivo que pode ser vista nesse link aqui, o presidente deixou claro que Pazuello permanece no cargo.

A transmissão também serviu para mostrar que houve um recuo da parte do General Pazuello em relação à decisão de comprar a vacina chinesa. Ao afirmar que “é simples assim, um manda e o outro obedece”, o ministro deixou claro que houve uma decisão dele, Pazuello, de dar andamento ao processo de compra da vacina chinesa, e que esta decisão foi cancelada por ordem do presidente, como mostraremos mais abaixo.

O General Pazuello não iria usar essa expressão, que de resto é óbvia no que diz respeito à relação entre um ministro e o Presidente da república, se não houvesse necessidade. Um detalhe na live do Presidente com o ministro merece ser observado: em nenhum momento Pazuello olha de frente para o Presidente Bolsonaro.

O Ministério da Saúde formalizou um protocolo de intenção de compra da vacina chinesa
Apesar dos questionamentos que foram feitos ao longo desse dois dias, o fato é que Ministério da Saúde havia formalizado um protocolo de intenção de compra da vacina chinesa com o Instituto Butantan. Ainda na quarta-feira (21/10), o Presidente Bolsonaro deu uma entrevista onde afirmou taxativamente que mandou cancelar o referido protocolo, dizendo:

“Ele tem um protocolo de intenções, que eu já mandei cancelar, se ele assinou, já mandei cancelar, pois o presidente sou e não abro mão de minha autoridade.”

O trecho desta entrevista pode ser ouvido no áudio abaixo, onde o Presidente Bolsonaro afirma também que com o protocolo de intenção o Brasil estaria comprando uma vacina [a chinesa] que ninguém mais está interessado. O áudio segue abaixo:


Além da fala do presidente, que por si só seria suficiente para comprovar que houve de fato a formalização da intenção de compra da vacina chinesa por parte do Ministério da Saúde, o próprio website do ministério exibia até o final da manhã daquela mesma quarta-feira um documento oficial com detalhamento do protocolo. O documento estava hospedado no site oficial do Governo Federal no seguinte endereço:

https://www.gov.br/saude/pt-br/brasil-negocia-aquisicao-de-46-milhoes-de-doses-contra-a-covid-19-com-instituto-butantan

Ocorre que se o leitor clicar no endereço acima, ele irá remeter a uma página não encontrada, uma vez que o documento foi retirado do website do Ministério da Saúde, após o Presidente Bolsonaro ter dado a ordem para cancelar o protocolo.

No entanto, o documento ainda pode ser visualizado usando o recurso de “cache” do Google, ferramenta que permite visualizar conteúdos na internet que tenham sido removidos do respectivo servidor. O cache do Google para este documento pode ser acessado no link abaixo:

https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:ZsaeOwyt3EAJ:https://www.gov.br/saude/pt-br/brasil-negocia-aquisicao-de-46-milhoes-de-doses-contra-a-covid-19-com-instituto-butantan+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

Ao clicar neste endereço, o leitor verá uma página oficial do Governo Federal cuja parte superior está exibida na imagem abaixo:

Como o leitor poderá ver por si mesmo, o documento oficial do Ministério da Saúde exibido acima comprova que o ministro Pazuello assinou o protocolo de intenções para a compra da vacina chinesa. O documento traz ainda detalhes adicionais, informando que o custo total da aquisição seria de R$2.6 bilhões, e que seria editada uma Medida Provisória para alocação destes recursos.

Portanto, o que o episódio todo deixa muito claro é que o General Eduardo Pazuello havia decidido estabelecer a intenção de compra da vacina chinesa, tendo inclusive assinado protocolo formal nesse sentido. O Presidente Bolsonaro, por sua vez, tomou conhecimento deste fato somente depois, ordenou o cancelamento da compra, e optou por manter o General Pazuello no cargo.

Na edição do dia 21/10 do Jornal Crítica Nacional, que pode ser vista no vídeo abaixo, comentamos sobre as diversas questões políticas envolvendo este episódio.



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