pela redação
A disputa eleitoral norte-americana prossegue indefinida, e o seu desfecho irá depender do desfecho em alguns estados, cuja apuração ainda está em andamento. Se Donald Trump consolidar a tendência de virada no Arizona e na Georgia, ele precisará reverter somente em um dos três estados problemáticos: Michigan, Wisconsin, e Pennsylvania.

É importante lembrar que países como Rússia, China e México informaram que ainda não consideram a apuração americana concluída, e irão reconhecer um vencedor somente após a conclusão final da contagem dos votos. O governo brasileiro também adotou a mesma postura, conforme apontamos em matéria publicada esta semana, e que pode ser vista neste link aqui.

Po sua vez, o Partido Comunista Chinês emitiu a seguinte declaração, por meio do porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Wang Wenbin: “Tomamos conhecimento de que Biden se declarou vencedor nas eleições. Nosso entendimento é que o resultado da eleição será determinado de acordo com as leis e procedimentos dos Estados Unidos”.

Entenda as razões para esta cautela:
A postura cautelosa, em particular do Partido Comunista Chinês, que é um dos principais interessados na vitória de Joe Biden, não é à toa e deve-se, entre outros, aos seguintes elementos:

• Nas eleições de 2016 Donald Trump obteve 306 delegados.

• Nas eleições deste ano, excluindo os estados que se encontram sub disputa, Joe Biden venceu praticamente nos mesmos lugares nos quais Hillary Clinton havia vencido, assim como Donald Trump também.

• Isso inclui estados como California e Nova York para os Democratas, e Florida, Texas e Ohio para os Republicanos.

• Considere-se também que Joe Biden tende a vencer em Nevada, e que venceu em um dos delegados do Nebraska.

E considerando os seguintes estados com (re)contagem em andamento, nos quais podem acontecer os seguintes resultados:

• Carolina do Norte vem confirmando a vitória de Trump, com uma vantagem de 74.821 votos neste momento

• No Arizona, a vantagem é de 14.746 votos para Biden neste momento, mas a diferença está diminuindo gradativamente, e as previsões dos mesmos institutos que acertaram em 2016 dão vitória para Trump neste estado em 2020.

• A Georgia já anunciou a recontagem dos votos por parte das próprias autoridades locais, que já reconheceram votos ilegais (votos duplos e pessoas sem credencias corretas de endereços). Neste momento a diferença é de 12.291 votos para Biden, e as autoridades locais indicaram um universo de aproximadamente 10.000 votos nos quais já é reconhecida a existência de problemas nos votos. Na Georgia, os institutos que acertaram a vitória de Trump em 2016 também apontam a sua vitória em 2020.

Portanto, diante dos cenários nestes estado, não seria absurda nem inesperada a vitória de Donald Trump nesses estados, ainda na fase de contagem ou recontagem de votos.

Resultados Projetados
Neste caso, fazendo uma conta reversa, a projeção indicaria a manutenção de 305 delegados para Trump em relação ao placar de 2016, a depender dos resultados de WI, MI e PA. Ou seja, se Donald Trump vencer nesses três estados, totalizaria 305 delegados, com uma vantagem de 35 delegados (como foi bastante falado na semana anterior ao pleito). Nesse caso a matemática da definição eleitoral então seria a seguinte:

• Para atingir a votação vitoriosa, Joe Biden precisa manter a vitória nos três estados (MI, PA e WI).

• Donald Trump precisa virar o resultado atual em somente em um deles.

Isso porque WI tem 10 delegados, MI 16 e PA 20, e os cenários são os seguintes:

• Se houver vitória republicana em WI e PA (30 Delegados somados), Trump ainda garantiria 275 Delegados

• Se houver vitória democrata em PA e MI (36 delegados somados), nesse caso haveria um empate (269 X 269)

• Se houver vitória democrata em MI e WI (26 Delegados somados), Trump manteria 279 delegados.

Ou seja, em todos os cenários, Joe Biden teria que garantir a vitória nos três estados para ser declarado vencedor. Desde que os resultados relatados acima se mantenham nos outros estados (incluindo inversão na GA e AZ).

Um último aspecto a ser considerado:  caso não ocorram as alterações em AZ e GA, por exemplo, ainda assim o resultado final pode ser alterado. Caso não vença na GA, Trump precisaria reverter o resultado duvidoso de MI, que tem os mesmos 16 delegados. Caso GA e AZ se mantenham com o resultado atual, então Trump necessitaria reverter os resultados duvidosos de MI, PA e WI.

Eleição Aberta
Equivale a dizer que claramente o resultado ainda está em aberto, com vantagem para Joe Biden no momento. Por essa razão, China, Rússia e México não consideram a eleição concluída, e não reconheceram Biden como vencedor. O mesmo posicionamento, correto, que foi adotado pelo Presidente Bolsonaro.

É por esta razão que parte da mídia mainstream norte-americana, temendo futuras condenações judiciais, já passou a designar Joe Biden como “projected” e não mais como “elected” (presidente eleito).

O cenário de empate
No caso de empate nessa configuração de votos (Biden vencendo em MI e PA e Trump vencendo em WI), o resultado nos estados seria de 28 estados para Trump X 22 para Biden. O empate leva a decisão para a Câmara dos Deputado (House of Representatives), já com a nova composição, onde a votação do desempate seria feita pelo voto universal, cada estado vale um voto. Ou seja seja, Donald Trump teria a vantagem de 28 X 22, e provavelmente vence a eleição mesmo em caso de empate.

Neste contexto é importante avaliar o cenário de MI, PA e WI, enfatizando que esses três  estados, além da proximidade geográfica, possuem duas outras características em comum:

a) O uso de um software que apresentou erros.

b) Donald Trump apresentava larga vantagem em todos eles nas apurações iniciais, mas durante a madrugada do dia 3 para o dia 4 de novembro houve significativas cargas de votos que mudaram os resultados, as quais fogem dos padrões estatísticos considerados normais.

Cenário nos estados com resultados duvidosos
No momento, os estados de MI, WI e PA estão no centro de muitas discussões legais, com vários condados recontando votos e já com mudanças de resultados, e se encontram no seguinte situação:

Michigan: 16 Delegados
Vários condados de MI apresentaram problemas de totalização, devido ao uso de um software com mal funcionamento. O condado de Antrim já mudou os resultados iniciais, e agora apresenta a vitória de Donald Trump, onde antes apresentava a vitória de Biden.

Informações preliminares indicam que esse software foi utilizado em mais 46 condados, nos quais existe a necessidade de reconferência dos resultados. No condado de Antrim, a alteração tem sido apontada como algo em torno de 6.000 votos, o que corresponderia a mais de 20% do total dos votos computados.

Se essa margem for mantida, haverá uma inversão superior a 300.000 votos, ou ainda mais, considerando que MI está na casa de 5.5 milhões de eleitoras aproximadamente. Ou seja, votos suficientes para inverter os resultados de MI, considerando que a diferença atual de votos no estado é de aproximadamente 146.000 votos.

Diversos condados, que já estavam com a contagem encerrada, ou que apresentavam 99% da totalização, voltaram ao patamar de 95% e estão anunciando novos boletins regularmente, como Roscommon, Muskegon, Kent, Mont Calm, Tuscola, Genesee, Shiawassee, Wayne e Kalamazoo.

Isso provocaria a inversão em MI, mesmo sem levar em consideração os votos duplos, votos de pessoas com credenciamento irregular (endereço inválido), votos recebidos fora do horário, votos de pessoas que constam na base de óbitos ou votos com assinaturas inconsistentes. Ou seja, apenas na retotalização em função do software defeituoso (a qual se encontra em andamento) provocaria a mudança do resultado em MI. A diferença atual em MI é de 146.123 a favor de Biden.

Pennsylvania: 20 Delegados
O estado está sendo apontado pelo Partido Republicano como o epicentro das fraudes, com várias pessoas na base de óbitos tendo comparecido para votar, entre eles algumas personalidades famosas.

O caso da PA já está na Suprema Corte de Justiça dos Estados Unidos, onde estão sendo avaliados os dados sobre os votos recebidos e supostamente computados após o horário limite de 20h do dia 03/11, de acordo com a determinação judicial então vigente.

As autoridades eleitorais do estado afirmaram para a Suprema Corte que os votos recebidos após o limite não foram computados, e essa informação está sendo verificada por investigadores e auditores federais. Os advogados do partido republicano alegam que coletaram depoimentos juramentados de pessoas nos correios e no serviço de apuração, e que estes depoimentos confirmariam que votos teriam sido recebidos e computados depois do horário limite. A diferença atual no estado é de 46.256 votos em favor de Joe Biden.

Wisconsin: 10 Delegados
Este estado foi um dos primeiros locais nos quais foi anunciada uma recontagem. O mesmo software defeituoso utilizado em Michigan também foi utilizado em WI, bem como as questões de votos duplos, votos de pessoas com credenciamento irregular (endereço inválido), votos recebidos fora do horário. Existem também as denúncias de votos de pessoas que constam na base de óbitos ou votos com assinaturas inconsistentes, e estão sendo analisadas no estado, bem como a questão do horário de recebimento de votos. A diferença atual no WI é de 20.540 votos em favor de Joe Biden.

Por fim, ainda restam duas questões adicionais que ainda não estão claras em todos os estados norte-americanos:

a) Se a decisão da Suprema Corte Americana sobre o horário limite para recebimento dos votos postais (20h do dia 03/11) será aplicada a todos os estados. A decisão inicial se aplica ao estado da Pennsylvania, mas considerando que possa ter um efeito jurídico semelhante à “repercussão geral”, a tendência é que esta regra se aplique em toda a jurisdição da Suprema Corte dos Estados Unidos.

b) Os votos chamados de “Military and Overseas Voters” geralmente são computados no final da apuração, conforme tratamos em matéria publicada aqui no Crítica Nacional. No entanto, pelos boletins atuais não é possível identificar se esses votos já foram computados em estados como PA, GA, NV e AZ. De acordo com o portal Military Times, o número total de “Military & U.S. citizens overseas” ultrapassou 500.000 votos em 2016, em todo o território nacional.

Por essas razões expostas, os websites de perfil mais técnico, como por exemplo o Real Clear Politics, não apontam um resultado definitivo para a eleição, e estão aguardando o desfecho desses assuntos em todos estes estados, assim como países como China, Rússia e México, além obviamente do Brasil, todos estão aguardando, corretamente, o desfecho final e exaurimento do processo eleitoral. Resultados completos até o momento do Real Clear Politicas podem ser acessados nesse link aqui.


Crítica Nacional Notícias:


 

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