por paulo eneas
O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou na manhã desta sexta-feira (13/11) que reconhece a suposta vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais norte-americanas. Mourão fez a declaração em entrevista à Rádio Gaúcha, disse que falava “pessoalmente” e lembrou o óbvio ao observar que ele, Mourão, não falava pelo governo.

A declaração de Mourão vem no mesmo dia que a Partido Comunista Chinês decidiu reconhecer a suposta vitória de Joe Biden após a divulgação pela imprensa de que o candidato democrata supostamente teria vencido no Arizona. O estado ainda não oficializou o resultado de sua apuração.

Esta é a terceira vez esta semana que o vice-presidente Hamilton Mourão entra em rota de confronto com o Presidente Bolsonaro. Antes, Mourão havia afirmado que o governo brasileiro iria reconhecer Joe Biden como presidente eleito “no momento certo”. Logo após a afirmação, o vice-presidente foi publicamente desautorizado pelo Presidente Bolsonaro.

Em seguida, também esta semana, houve o vazamento da proposta surgida no Conselho da Amazônia, presidido pelo vice-presidente, de fazer a expropriação de terras de quem supostamente comete crimes ambientais. O vazamento levou a uma reação dura e enfática do Presidente Bolsonaro, conforme registramos nesta nota aqui.

E por fim tivemos nesta sexta-feira uma declaração do vice-presidente contrariando explicitamente uma decisão de governo, que é a de manifestar-se sobre o resultado das eleições norte-americanas somente após a proclamação oficial do vencedor do pleito, o que ocorrerá no dia 14 de dezembro.

Ainda que o vice-presidente tenha afirmado estar falando “em nome pessoal”, isso não reduz o impacto de sua afirmação. Um afirmação que sinaliza um posicionamento político completamente distinto daquele adotado oficialmente pelo governo, em especial em matéria de política externa.

Sem dúvida o vice-presidente Hamilton Mourão está ciente do impacto e das repercussões políticas e institucionais de suas declarações, ainda que ela venham temperadas com a ressalva formal de tratar-se de “opinião pessoal”.

O fato é que o vice-presidente fez esta declaração com base em um cálculo político preciso, objetivando sinalizar ao público a demarcação de uma posição política claramente distinta da diretriz central do governo, definida pelo Presidente Bolsonaro.


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