por paulo eneas
A esquerda socialista e social-democrata representada no Brasil pelos tucanos nunca teve força político-eleitoral suficiente para enfrentar sozinha a esquerda comunista representada pelo petismo e seus satélites: os social-democratas sempre contaram com o voto da direita e dos conservadores, especialmente na capital paulista, sob o pretexto de escolher-se o menos ruim.

O apoio eleitoral da direita aos socialistas e social-democratas no embate com os comunistas sempre foi tão líquido certo quanto sempre foi líquido e certo que, uma vez vitoriosos, os social-democratas iriam trazer os comunistas para o seu governo e implementar plenamente sua agenda e seu programa. Possivelmente em nenhum outro lugar do mundo a estratégia das tesouras funcionou quase à perfeição como na capital paulista.

Isso ficou claro nas eleições municipais de 2016, quando a direita foi a principal responsável pela vitória de João Doria para prefeitura paulistana ainda no primeiro turno: a direita não apenas votou no tucano, como uma parcela desta direita militou em sua campanha, acreditando na fantasia delirante de que o lobista tucano e preposto do Partido Comunista Chinês representaria uma certa Nova Direita.

Uma vez na prefeitura da maior cidade do país, João Doria trouxe petistas e demais comunistas para cargos-chave na administração municipal, garantindo assim a aceleração a pleno vapor da agenda esquerdista, enquanto o tucano exercitava sua retórica pseudo-liberal. Demorou alguns meses para a direita despertar do sonho delirante de uma “nova direita” supostamente representada por João Doria.

Dois anos depois, nas eleições presidenciais e para governadores, a direita foi novamente a grande aliada dos socialistas e social-democratas no Estado de São Paulo para garantir-lhes a vitória contra os comunistas representados por Marcio França, apoiado pelos petistas. Criou-se até mesmo a aberração linguística e política denominada bolsodoria para esta finalidade. E assim a direita deu enorme contribuição para catapultar aquele que seria o maior inimigo político do Presidente Bolsonaro.

Nas eleições municipais deste ano a direita foi derrotada por antecipação
Nas eleições municipais deste ano, a direita foi além e assegurou sua derrota por antecipação na capital da paulista, ao mostrar-se incapaz ao longo de dois anos de preparar um candidato genuinamente conservador para disputar a prefeitura paulistana.

Sem candidato próprio capaz de mobilizar a militância e de converter em votos a enorme popularidade do Presidente Bolsonaro, a direita assistiu novamente um comunista e um social-democrata irem para o segundo turno, em uma disputa marcada por inúmeras suspeitas de irregularidades, que resultaram inclusive na derrota da direita para a Câmara Municipal paulistana, com a eleição de apenas um vereador.

É evidente, como já apontamos aqui no Crítica Nacional, que o cenário de disputa no segundo turno paulistano não pode de maneira alguma corresponder à realidade política da capital paulista. Não temos razão alguma para acreditar que o psolista Guilherme Boulos, em que pese o apoio em massa do eleitorado petista, tenha tido força eleitoral para ir ao segundo turno com o tucano Bruno Covas.

Mas a constatação da falta de lisura e transparência no pleito não serve para isentar a direita de seus erros ao longo destes dois anos, incluindo o erro de ter abandonado a pauta da reforma do sistema eleitoral com a adoção do voto impresso, apuração pública de votos e revisão do papel do TSE, como apontamos no artigo A Derrota Da Direita Nas Eleições Municipais Com Urnas Eletrônicas & Apuração Secreta.

O fim do papel de coadjuvante e de linha auxiliar dos socialistas?
O segundo turno deste domingo na capital paulista poderá apresentar uma quebra parcial no papel de coadjuvante e de linha auxiliar dos socialistas que a direita vem exercendo há anos e anos na cidade. Uma parcela expressiva do eleitorado paulistano decidiu não mais seguir a máxima de de votar no menos ruim por entender, corretamente, que não existe candidato menos ruim quando se trata de escolher entre um social-democrata e um comunista.

Parte do eleitorado paulistano compreendeu que não faz sentido submeter-se a escolher entre um comunista invasor de propriedades ou um socialista que manda soldar portas de estabelecimentos comerciais: nenhuma escolha nesse caso é justificável, pois tanto uma  quanto outra representará uma péssima escolha para a cidade de São Paulo e para o país.

Nesse sentido, é bastante provável que, independentemente de quem seja eleito prefeito da cidade nesta domingo, o total somado de votos brancos e nulos e de abstenções supere ou esteja no mesmo patamar do total de votos do vencedor.

Caso esse cenário se confirme, uma parcela expressiva do eleitorado paulistano terá dado um recado claro para própria direita: ela, a direita, que trate de capacitar-se politicamente para o embate político na capital, caso ainda queira desempenhar algum papel político relevante na cidade. Pois o papel de coadjuvante e de linha auxiliar dos socialistas que esta direita sempre desempenhou já não mais encontra eco junto ao eleitorado.



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