por paulo eneas
A população de Manaus (AM) protagonizou neste final de semana um episódio que pode servir de exemplo para o resto do país: trata-se do exemplo de como a ação organizada e a pressão da população podem colocar um freio à sanha autoritária de governantes locais que, a pretexto de combater a pandemia, estão há meses promovendo a destruição da economia de suas cidades e seus estados por meio de medidas de fechamento do comércio e de atividades econômicas em geral.

Após uma manifestação massiva ocorrida neste sábado (26/12) na capital amazonense, o governador do Estado do Amazonas, Wilson Lima, revogou o decreto que promovia o lockdown completo da cidade por um período de quinze dias. O lockdown teria início na próxima segunda-feira (28/12) e permitiria que apenas as atividades consideradas essenciais pudessem funcionar. Todo o resto do comércio permaneceria obrigatoriamente fechado.

Milhares de cidadãos de Manaus saíram às ruas em protesto, incluindo empresários e funcionários do setor comercial. Os manifestantes pretendiam dirigir-se até a residência do governador para aumentar a pressão, mas foram impedidos pela ação da Polícia Militar. O volume do protesto, que teve um ampla adesão popular, levou o governador a reunir-se com representantes de empresários e por fim decidir pela revogação do decreto de lockdown.

O exemplo dado por Manaus (AM) repete o ocorrido há cerca de duas semanas na cidade de Búzios (RJ), onde a população também mobilizou-se e conseguiu fazer a prefeitura e o poder judiciário recuarem de medidas draconianas de lockdown que iriam paralisar a cidade turística no fim do ano. No caso de Búzios, a caráter autoritário e inconstitucional das medidas que seriam implementadas previa inclusive um prazo de setenta e duas horas para os turistas deixarem a cidade.

Os exemplos das duas cidades precisam ser replicados no resto do país, pois resta evidente que medidas de lockdown possuem efeito nulo no que diz respeito à propagação do vírus. Estas medidas servem tão somente para dar vazão à sanha autoritária de governantes  locais, além de promoverem a deterioração da economia. Além disso, todas as restrições adotadas por governadores e prefeitos ao longo deste ano carecem de base legal, o que reforça o caráter ditatorial destas medidas.

O brasileiros de Manaus (AM) e de Búzios (RJ) mostraram por meio de sua ampla mobilização cívica que esta é a melhor resposta que a população pode dar a governantes com vocação totalitária: organizar manifestações expressivas em defesa de seus empregos e seus negócios, e contra o autoritarismo ilegal destes mesmos governantes.

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