O político tucano paulista e o procurador paranaense possuem conexões com empresário preso na operação Hemorragia. O Crítica Nacional obteve acesso à decisão judicial que determinou a prisão preventiva dos principais envolvidos no esquema.

O documento, que pode ser lido nesse link aqui, da decisão descreve a segunda fase da Operação Alcatraz, batizada como Operação Hemorragia, que investiga desvios de centenas de milhões de reais. Existem laços entre os investigados e o governador tucano paulista João Doria e o procurador Deltan Dallagnol, ex-integrante da Força Tarefa da Operação Lava Jato.

Um dos principais focos da  Operação Hemorragia é o lobista Jaime Leonel de Paula Júnior, criador das empresas Neoway e e-Biz entre outras, e também sócio do Banco Neon, liquidado pelo Banco Central por “graves violações às normas legais e regulamentares”, segundo a autoridade monetária.

O lobista Jaime de Paula já apareceu em incidentes anteriores, em um desdobramento da Lava Jato, em função da delação do lobista Jorge Luz, que realizava tráfico de influência para a Neoway e delatou o pagamento de propinas para obtenção de contratos na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás.

Jaime de Paula mantinha base em Santa Catarina e outra em São Paulo, onde realizou muitos negócios nos últimos anos, e era figura conhecida em casas noturnas e de prostituição de São Paulo. O lobista era famoso por ostentar carros de luxo (Hammer, Mercedes, BMW) sendo figura constante em colunas sociais, nas quais anunciava novos carros e relógios de luxo, comprados com o dinheiro dos esquemas criminosos.

Os documentos que motivaram a prisão preventiva do lobista revelam que os contratos eram obtidos mediante o pagamento de propina para pessoas dentro das organizações com as quais contratava. Jaime de Paula também possui negócios com Petrobras, Companhia Vale, Portobello, e com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e outros órgãos públicos paulistas.

Os documentos revelam uma fortuna ilícita advinda de contratos com o governo federal nas gestões petistas de Lula e Dilma, e nos governos de São Paulo nas gestões de José Serra, Gilberto Kassab, Geraldo Alckmin e João Doria, tanto no âmbito municipal quanto estadual.

O nome de João Doria aparece no esquema através de um contrato de “doação” celebrado entre a Prefeitura de São Paulo com a empresa Neoway, em 21 de Junho de 2018, quando João Doria ainda era prefeito de São Paulo.

Por sua vez, o procurador Deltan Dallagnol teve envolvimento com a empresa Neoway quando a Folha de São Paulo divulgou palestra remunerada do procurador nas dependências da empresa. Além disso, o Portal GGN publicou matéria na qual aponta o procurador como divulgador dos produtos da empresa, inclusive com depoimento em vídeo em evento realizado pela Neoway.

Além de João Doria e Deltan Dallagnol, outros políticos também estão envolvidos com a Neoway, entre eles o presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, e o ex-governador de Santa Catarina, além de ex-secretários e dirigentes de órgãos públicos e de empresas estatais.

O portal Diário do Poder aponta que os valores da Operação Hemorragia atingem a soma de 400 milhões, somente nos negócios realizados com o governo de Santa Catarina. Quando as próximas fases da operação forem concretizadas, em especial no âmbito da Petrobrás e de órgãos públicos em São Paulo, outros estados e no Governo Federal, será possível saber o montante real do esquema criminoso, bem como o real envolvimento de outros políticos e dirigentes de órgãos públicos de São Paulo e de Brasília.

Chama a atenção o fato de que o procurador Deltan Dallagnol, atuando como investigador da Lava Jato, não tenha considerado todos esses fatos ao estabelecer relacionamento e receber dinheiro de empresas e pessoas envolvidas em todo esse esquema, o qual teria tido início em 2009. O fato remonta ao velho ditado popular: “casa de ferreiro espeto de pau”.

O procurador afirma ter sido muito eficiente para investigar os problemas alheios, mas parece não ter sido tão rigoroso e criterioso para investigar as suas próprias relações profissionais. Ele proferiu palestra remunerada na empresa Neoway, recebendo R33.000,00 para uma exposição sobre “combate à corrupção”, e manteve contatos diretos com o lobista Jaime de Paula.

Também vai ser esclarecedor saber, nas próximas fases da operação, quantos e quais contratos as empresas citadas possuem com a Prefeitura Paulistana e com o Governo do Estado de São Paulo, em especial nas gestões José Serra, Gilberto Kassab e Geraldo Alckmin, e João Dória, tanto no âmbito municipal quanto estadual.

Referências:
1) Banco Central determina o cancelamento das operações do Banco Neon

2) Fintech brasileira de empréstimos recebe R$ 20 milhões de fundo americano

3) Nova fase da Operação Alcatraz cumpre vinte mandados de prisão em Santa Catarina

4) Deltan foi pago por palestra em empresa citada na Lava Jato

5) A Neoway, do comercial de Dallagnol, e o comércio nebuloso de bancos de dados do setor público


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