por paulo eneas
O secretário-chefe da Secom, Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Fábio Wajngarten, poderá sair do Governo Federal como resultado de uma articulação política interna levada a cabo pelo antigo apoiador do governo petista e hoje Ministro das Comunicações, Fabio Faria, em aliança com alguns militares.

Caso se consolide a queda de Fábio Wajngarten, ele terá sido mais um dos bolsonaristas fiéis que estiveram ao lado do então deputado federal e pré-candidato Jair Bolsonaro desde o primeiro momento, e que agora será preterido em favor de políticos que já fizeram parte das hostes petistas ou que nunca fizeram esforço algum para ajudar a eleger o capitão deputado para a Presidência da República.

A possível queda de Fábio Wajngarten começou a ser articulada por Fabio Faria em período recente, quando o deputado potiguar e antigo aliado de Lula começou a vislumbrar a possibilidade de tornar-se candidato a vice-presidente no próximo pleito presidencial, em vista da inegável popularidade do Presidente Bolsonaro na região Nordeste.

A partir deste projeto de poder de vice-presidência, Fabio Faria passou a articular com um segmento militar na figura do Almirante Flavio Augusto Viana Rocha, cotado para o lugar de Fabio Wajngarten na Secom. Essa articulação tornou-se especialmente mais próxima após a viagem do ministro Fábio Faria a países que fornecem tecnologia 5G, especialmente a China.

Ao mesmo tempo, Fabio Faria encarregou-se de plantar notas na grande imprensa, a mesma grande imprensa com quem o ministro tem excelentes relações mas que continua sendo a inimiga mortal do Presidente Bolsonaro. Estas notas davam como líquida e certa a saída do bolsonarista Fábio Wajngarten para ceder lugar ao Almirante Flavio Rocha.

Sob este aspecto, o antigo apoiador do governo petista e hoje ministro das Comunicações, Fábio Faria, a grande imprensa, e um segmento militar, têm todos algo em comum: todos querem ver os conservadores banidos do Governo Bolsonaro, e se possível banidos da vida pública. Fábio Wajngarten é um dos últimos bolsonaristas conservadores e fiéis ao Presidente Bolsonaro ainda presentes no Governo Federal, daí a operação para sua derrubada.

Uma trajetória de lealdade ao presidente e tutela permanente
Fábio Wajngarten aproximou-se do então deputado Jair Bolsonaro muito antes da pré-campanha e desempenhou um papel decisivo em um dos momentos mais críticos da campanha presidencial de 2018: logo após o atentado a faca contra o candidato Jair Bolsonaro em Juiz de Fora (MG), Fábio Wajngarten, Victor Metta, Letícia Catel e o empresário Meyer Nigri tiveram atuação decisiva, no timing crítico correto, na logística necessária para para assegurar o atendimento ao então candidato no Hospital Albert Einstein em São Paulo (SP).

Com a vitória nas eleições e iniciado mandato de Bolsonaro, Victor Metta e Letícia Catel passaram a fazer parte do governo em seu início. No entanto, Letícia Catel foi a primeira conservadora a cair em poucos meses, em favor de um militar, tendo sido despejada de maneira aviltante da Apex. Por sua vez, Victor Metta deixou o governo quando da saída de Abraham Weintraub do MEC.

Fábio Wajngarten assumiu a Secom um pouco após o início do governo, e teve sua atuação inicial tutelada ou mesmo sabotada pelo ex-ministro Santos Cruz, que inviabilizou a campanha institucional pela Reforma da Previdência. Diante deste boicote explícito, Fábio Wajngarten articulou, sem qualquer custo para os cofres públicos, a ida do Presidente Bolsonaro em emissoras de televisão concorrentes da Rede Globo para falar da reforma previdenciária.

O resultado dessa operação de mídia é que o Brasil tornou-se o único país do mundo onde uma reforma previdenciária, pauta considerada geralmente impopular, foi aprovada com apoio massivo da população, que saiu às ruas em favor da reforma como demonstração de confiança no Presidente Bolsonaro.

A reestruturação interna do governo no ano seguinte, com a recriação do Ministério das Comunicações ao qual a Secom passou a ser subordinada, colocou alguns entraves para a atuação da pasta, mas não impediu que a conduta do secretário Fábio Wajngarten continuasse sendo pautada pela lealdade direta ao Presidente da República.

Uma quebra de hierarquia palaciana
O Presidente Bolsonaro aparentemente foi convencido a fazer a troca na Secom, e com isto afastar outro bolsonarista conservador leal e fiel ao presidente para ceder o lugar a um político do Centrão ou a um tecnocrata militar que nunca teve vínculo algum com o movimento político conservador e de direita que elegeu o Jair Bolsonaro.

Esta tem sido por sinal a tônica do Governo Bolsonaro em período recente: o abandono sistemático de apoiadores fiéis e históricos em favor de apoiadores de ocasião e de última hora, como é o caso do ministro Fábio Faria, o antigo entusiasta e apoiador do governo petista.

A mudança na Secom ainda não foi oficializada no Diário Oficial. Mas segundo informa o jornalista Claudio Magnavita do jornal Correio da Manhã, já nesta sexta-feira (26/02) o possível novo titular da pasta, o Almirante Flavio Rocha, já havia adentrado nas instalações da Secom com sua equipe e passou a dar ordens, como se secretário nomeado já fosse.

Uma conduta que, além de desrespeitosa com o presidente e com o atual titular da pasta, corresponde a uma quebra de hierarquia palaciana, uma vez que o Almirante Flavio Rocha nem mesmo foi ainda oficialmente nomeado.

Se confirmada a queda de Fábio Wajngarten e a consequente vitória política interna do Centrão pelas mãos de Fabio Faria em aliança com um segmento militar, terá se consolidado a tendência do Governo Bolsonaro de livrar-se dos bolsonaristas e conservadores que sempre foram fiéis ao presidente, para ceder lugar a outra forças políticas estranhas a qualquer projeto de viés conservador.

Forças políticas estas que, a depender das circunstâncias das disputas de poder, não terão dificuldade alguma em voltar-se contra o próprio Presidente Bolsonaro, se lhes for conveniente. Coisa que bolsonaristas conservadores e fiéis ao Presidente que foram e estão sendo afastados do governo jamais fariam. Com informações de Brasil Sem Medo e Correio da Manhã.


 

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