por paulo eneas
O Ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira (02/02) durante entrevista ao programa Os Pingos Nos Is da rádio Jovem Pan, que considera uma anomalia e uma farsa o fato de uma empresa estatal ter ações listadas em bolsa de valores: “Estatal listada em bolsa é uma anomalia, uma farsa”, afirmou o ministro.

Paulo Guedes afirmou corretamente que presença de uma empresa estatal no mercado de capitais “não agrada ao mercado nem ao governo, o governo quer que ela tenha atos de responsabilidade social, mercado quer que ela maximize lucros, porque é da capacidade de gerar lucro que vêm os investimentos futuros e a rentabilidade”.

A fala do ministro está em linha com uma questão o Crítica Nacional havia levantando no artigo Petrobras: Algumas Perguntas Que Precisam Ser Feitas, publicado no dia 23/02. Neste artigo fizemos alguns questionamentos, entre eles justamente o porquê de uma empresa estatal ter capital aberto e ações em bolsa, pois entendemos que em dado momento os interesses dos acionistas irão conflitar com o papel estratégico da empresa. Neste artigo, afirmamos que:

Empresas privadas abrem seu capital para levantar recursos e alavancar sua capacidade de investimentos. A promessa aos acionistas, ao abrir o capital, é obviamente a obtenção de resultados financeiros, de modo que a empresa passa a “trabalhar para seus acionistas”.

Cabe portanto questionar se essa lógica presente em qualquer empresa privada de capital aberto pode ser aplicada a uma empresa estatal que existe, e continua existindo, para supostamente atender a um interesse estratégico nacional que não está necessariamente em linha com os interesses privados, e igualmente legítimos, de quem investe em ações de companhias abertas.

Além disso, pode-se questionar em que medida a Petrobras necessita manter seu capital aberto para alavancar sua capacidade de investimentos, uma vez que ela está entre as maiores petrolíferas do mundo.

Observa-se, portanto, que a afirmação feita pelo ministro Paulo Guedes está em linha com o questionamento que fizemos: os risco potencial de conflito entre os objetivos estratégicos de uma empresa estatal, que o ministro chamou de “atos de responsabilidade social”, com os interesses que são igualmente legítimos dos acionistas de qualquer empresa de capital aberto.

A íntegra de nosso artigo de fevereiro, que traz também outros questionamentos sobre a Petrobras, especialmente sobre a necessidade de alinhamento de preços internos dos combustíveis aos preços do mercado internacional de petróleo, poder ser vista o link abaixo. Informações de Revista Oeste.

Leia também:
Petrobras: Algumas Perguntas Que Precisam Ser Feitas


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