por angelica ca e paulo eneas
O governador do Estado do Tocantins, Mauro Carlesse, participou nesta terça-feira (23/03) de uma audiência online com o embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, com objetivo de reforçar as relações internacionais do Estado com a China: “A China já está um pouco dentro do Tocantins”, disse o governador.

Os secretários que participaram da reunião mostraram ao embaixador chinês o crescimento do Tocantins, relacionado principalmente ao agronegócio, e na capacidade que o Estado tem de ser produtor de alimentos para a China e para outros países.

“O Estado possui, hoje, boa infraestrutura com rodovias, hidrovias, ferrovias, produção de energia e tudo que os empresários chineses precisam para investir com confiança”, afirmou um dos secretários, no esforço de convencer o representante do Partido Comunista Chinês de que o Estado está pronto para tornar-se uma espécie de nova colônia da ditadura sino-comunista.

O Tocantins é um dos maiores exportadores de soja e carne, e boa parte dessas exportações são para a China. Nos últimos anos, a produção e a exportação para a China cresceram e chegaram 800 milhões de dólares entre soja e carne.

Considerando que o Brasil vive o contexto de um crescente vácuo do poder central em decorrência de um rearranjo institucional imposto pelo poder judiciário que na prática fez com que o poder de fato no país passasse a ser exercido por governadores, iniciativas como a do Tocantins sinalizam um caminho perigoso que o país poderá seguir.

Esse caminho indica a perda gradual da unidade nacional, na fragmentação do poder de fato entre os entes estaduais da União, onde cada ente estabelecerá relações próprias com o regime comunista chinês, à revelia de qualquer diretriz de política externa ou de preocupações com a soberania nacional.

Esse processo já ocorre em outros Estados e inclusive no Distrito Federal, onde já existe uma presença chinesa em setores chave como infraestrutura, telecomunicações e de controle da produção agrícola.

O ambiente da pandemia veio acelerar esse processo, com a retirada progressiva dos poderes do governo central. O que reforça nossa percepção de que a pandemia veio justamente para isso: para servir de instrumento de guerra geopolítica.


 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE