por paulo eneas
A decisão tomada neste sábado (03/04) pelo ministro Kassio Marques Nunes, do Supremo Tribunal Federal, autorizando a realização de cultos e celebrações religiosas em todo o território nacional, foi a mais importante em período recente no que diz respeito à preservação de direitos e garantias fundamentais que vem sendo sistematicamente violados por governantes locais a pretexto de combate à pandemia.

A decisão liminar do ministro veio em resposta a uma ação movida pela Associação Nacional de Juristas Evangélicos contra decreto do proto-ditador tucano paulista João Doria que proibiu cultos religiosos no Estado de São Paulo. A Advocacia Geral da União e a Procuradoria Geral da República também manifestaram-se pela revogação do decreto diante de sua flagrante inconstitucionalidade.

Segundo apuramos, não houve participação de qualquer entidade católica, como a CNBB, na ação judicial em defesa da liberdade de culto.

O fato de haver a necessidade de uma decisão judicial “autorizando” a realização de cultos religiosos em Igrejas já constitui-se por si só em um sintoma dos mais graves da doença civilizacional que abateu-se sobre o Ocidente. Uma doença que só não é mais grave do que a passividade covarde, e reveladora da pouca fé, com a qual a maioria dos clérigos, especialmente os católicos, aceitaram a imposição absurda da proibição de cultos.

Houve apenas dois momentos na História do Ocidente em que as Igrejas foram proibidas de funcionar por decisão de Estado. O primeiro momento foi na Roma Antiga ainda pagã, durante os três anos do reinado do imperador Caio Méssio Quinto Trajano Décio, entre os anos de 249 d.C. e 251 d.C. O segundo momento foi do final do século III d.C. ao início do século IV d.C., durante o reinado de Dioclesiano em Roma, que promoveu a maior perseguição aos cristãos que se tem notícia na História.

Nem mesmo durante a Revolução Francesa, que foi uma revolução socialista anticristã na qual a Catedral de Notre Dame foi transformada em paiol, houve proibição formal de cultos. Nem durante a Peste Negra (surto de peste bubônica que devastou a Europa entre os anos de 1347 e 1351), nem durante a gripe espanhola de início do século passado, ou ainda durante as duas grandes guerras mundiais, em momento algum o Estado secular cogitou proibir a realização de cultos religiosos.

O regime comunista da antiga União Soviética, que objetivamente perseguia cristãos, não ousou proibir a realização de cultos nas Igrejas Ortodoxas russas, ainda que houvesse a vigilância repressora permanente do Estado comunista. Foi preciso chegar a pandemia do coronavírus, disseminada deliberadamente pelo regime comunista chinês com a aquiescência dos principais agentes globalistas do Ocidente, para que os feitos de Décio e de Dioclesiano se repetissem.

A decisão do ministro Kassio Nunes Marques obviamente deve ser aplaudida. Mas esse aplauso justo e merecido não pode nem deve obnubilar o fato de que é o Estado quem está decidindo se uma Igreja ou Sinagoga pode ou não receber um cristão ou judeu para orar. Enfatizemos: tal estado de coisas não encontrava paralelo na História há mais de um milênio e meio, o que por si só denota a gravidade do momento que a Civilização Ocidental vive.

As agressões à liberdade, incluindo a liberdade de culto religioso, que vem sendo praticadas nas chamadas democracias liberais a pretexto da pandemia do vírus chinês mostram que esta pandemia teve e tem um propósito, que não difere em nada do propósito que sempre esteve presente na mentalidade revolucionária: minar as bases da civilização ocidental, atacando as premissas ético-morais de sua origem judaico-cristãs.

Este ataque é feito com uma arma poderosa: a pretensa neutralidade de uma falsa racionalidade científica que legitima tais ações. Ao poder desta arma, soma-se a precisão da pontaria: o alvo é e sempre será a Civilização Ocidental. Afinal, não se tem notícias de mesquitas sendo fechadas em países muçulmanos ou de minaretes sendo silenciados para evitar “aglomerações”.

Por fim, cabe observar que a decisão do ministro Kassio Nunes Marques veio na véspera da Páscoa Cristã, cuja origem remonta ao Pessach da tradição judaica, que celebra a saída dos Hebreus do cativeiro dos faraós egípcios. Ocorre que mais de três mil anos depois, a humanidade toda está sendo colocada sob novo cativeiro, onde os novos faraós falam mandarim.

A saída deste novo cativeiro não pode depender da benevolência de decisões do Estado. A saída passa, entre outros, pelo sentido de missão dos sacerdotes, em especial padres e pastores e rabinos, que precisam ser lembrados que devem temer a Deus, e não ao fiscal da prefeitura comandada por algum tiranete que aspira ser o novo faraó. Colaboração de Evandro Pontes.


 

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