O Crítica Nacional foi possivelmente a primeira publicação da direita brasileira a alertar sobre a natureza traiçoeira, do ponto de vista da direita e dos conservadores, daquilo que chamamos de antipetismo de conveniência.

Tratamos deste tema em um artigo publicado ainda em em junho de 2016, portanto há quase cinco anos, onde já apontávamos o papel nefasto que publicações como O Antagonista iria desempenhar.

Os fatos recentes comprovam que estávamos corretos. Optamos por republicar na data de hoje (05/04/2021) este artigo quase quinquenário, que também pode ser lido no seu original neste link aqui.

Mais recentemente, tratamos novamente do problema do antipetismo de conveniência e como ele contribuiu para a formação de uma pseudo-direita permitida. Este artigo, de fevereiro de 2018, pode ser lido neste outro link aqui.


A Conveniência de Ser Antipetista
por paulo eneas
publicado originalmente em 23/06/2016

Uma maneira conveniente e confortável, e até mesmo socialmente aceitável em determinados círculos, de continuar sendo de esquerda é apresentar-se como antipetista. O antipetismo está se tornando, em uma velocidade espantosa para qualquer processo político, a blindagem e o véu convenientes que permitem aos bons Filhotes de Gramsci dissimular e ocultar a adesão permanente à agenda ideológica da esquerda sem precisar pagar o ônus de associar sua imagem ao moribundo petismo.

A condição de ser antipetista e de condenar publicamente as práticas de corrupção (como se existisse alguém no mundo não fictício que fosse publicamente favorável a tais práticas), tem servido de salvo conduto e de regalo para a consciência e permite a seu aderente continuar endossando tudo o que a esquerda deseja e quer e promove: desde as mais sutis iniciativas de engenharia social até os mais explícitos e escancarados atentados à democracia e ao que resta de nosso estado de direito, contando que o alvo desses atentados seja a direita conservadora.

O antipetista que está se revelando em tempos recentes é o mesmo que apoiou o impeachment com veemência e arroubos retóricos, porque o governo de então era corrupto e “incompetente”.

Porém, esse mesmo antipetista não se furta em endossar todas as pautas da agenda ideológica da esquerda e em aplaudir a perseguição política, feita por vias institucionais que incluem o próprio judiciário, que está sendo promovida contra os adversários conservadores do petismo e de seu projeto criminoso de poder.

Projeto esse que se mantém vivo na sua matiz ideológica essencial nas instituições de estado aparelhadas, e que pode muito bem prescindir do petismo institucional para ser levado adiante e implementado, com apoio e endosso dos antipetistas.

O petismo já está se tornando para as diversas correntes esquerdistas aquilo que o nazismo e o fascismo foram para essas mesmas correntes décadas atrás: a sujeira criada pela própria esquerda e com a qual ela mesma tenta se limpar. Uma limpeza que tem sido feita com afinco e que tem ajudado na formação da imagem de uma esquerda limpinha, da qual figuras como Reinaldo Azevedo e o blog das sacripantas O Antagonista são a versão mais bem acabada.

Uma esquerda limpinha que condena a corrupção (claro!) e que está empenhada em combater a ascensão da direita conservadora, usando de todos os meios necessários, inclusive o apoio aos meios que se valem de uma das heranças malditas deixadas pelo petismo: uma suprema corte bolivariana com vocação para o ativismo judiciário.


 

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