por angelica ca e paulo eneas
Quatro em cada dez eleitores peruanos não foram às urnas ou votaram em branco ou nulo nas eleições gerais realizadas no último domingo (11/04) naquele país. Embora a grande imprensa diga que a elevada abstenção ocorreu devido ao medo do contágio do vírus chinês, os dados revelam um quadro de esgotamento do cidadão diante da classe política peruana.

O país teve três presidentes em 10 dias em novembro do ano passado, e a crise moral e política que o Peru atravessa desde 2016, que levou à queda de três presidentes e à dissolução do Parlamento, explicam o número elevado de abstenções e votos brancos e nulos. O fato mais importante revelado por estas abstenções e votos em branco e nulo, e que está sendo ocultado pela grande imprensa, é que o sistema político peruano sofre de legitimidade.

Segundo o Escritório Nacional de Processos Eleitorais, órgão que centraliza as eleições naquele país, com 96% do registros processados, mais de 6.6 milhões de eleitores deixaram de comparecer às urnas, o que representa 28% do eleitorado habilitado a votar. A elevada abstenção ocorreu apesar do voto ser obrigatório para todos os cidadãos peruanos entre 18 e 70 anos.

Além disso, os resultados preliminares após a votação indicavam que 17.5% dos votos dados nas eleições eleições presidenciais foram brancos ou nulos. Este percentual supera em quase dois pontos percentuais o apoio obtido pelo candidato esquerdista Pedro Castillo, candidato vencedor do primeiro turno. Ou seja, o candidato mais votado perdeu para os votos brancos e nulos, o que coloca em xeque a legitimidade do próximo presidente eleito, seja ele qual for.

Os dois candidatos presidenciais mais votados, o esquerdista Pedro Castillo e a ex-deputada de centro Keiko Fujimori, alcançaram os menores percentuais da história do país: ambos perderam para os votos brancos e nulos e para as abstenções.

Os dois candidatos disputarão o segundo turno das eleições peruanas que será realizado no início de junho. Qualquer que seja o resultado do segundo turno, o próximo presidente peruano assumirá o cargo carecendo de legitimidade. Informações de El Clarin.


 

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