por paulo eneas
Uma das teses sempre defendidas por parte da direita e dos conservadores no mundo ocidental é a necessidade de criminalizar e banir o comunismo e todas as expressões do movimento revolucionário do seio da sociedade. No entanto, parte expressiva da própria direita, incluindo especialmente os liberais, jamais abraçou esta ideia por considerá-la “antidemocrática”, e por acreditar que o embate ao esquerdismo de modo geral deve ocorrer no campo das ideias e do debate democrático.

Esta ilusão liberal vê, quando consegue ver, no movimento revolucionário em suas várias matizes apenas um conjunto de ideias a serem confrontadas. Não enxerga neste movimento, e nas pessoas de carne e osso que o compõem, um projeto real de poder ancorado numa herança e legado de experiências históricas que deixaram um rastro de ditaduras, perseguições, genocídios, guerras, supressão de liberdades, miséria e fome, e todo tipo mazelas na humanidade no último século e meio.

Mas enquanto o Ocidente contenta-se com a ilusão democrática de que é possível conviver democraticamente com quem quer destruí-lo, os revolucionários e seus prepostos vinculados a projetos globalistas não medem esforços para justamente criminalizar e banir toda forma de pensamento, atuação política ou qualquer outra atividade de viés claramente anticomunista.

Esse quadro mais amplo materializou-se na manhã desta terça-feira (18/05) na primeira parte do depoimento do ministro Ernesto Araújo à CPI da Covid do Senado Federal. O ex-chanceler foi basicamente inquirido e ao mesmo tempo condenado pela sua forma de pensar, por ser anticomunista. Ele continua sendo interrogado e está sendo condenado por ter conduzido uma política externa de defesa da soberania e da defesa dos interesses nacionais brasileiros.

Ernesto Araújo está sendo condenado por ter uma posição claramente anticomunista, o que é retratado como algo abominável e condenável. O argumento de vacinas chinesas é usado apenas como pretexto pelos senadores para julgar e condenar não apenas a figura do ministro, mas para condenar a política externa brasileira implementada até abril deste ano, e que somente trouxe ganhos e benefícios ao país.

Esta política externa soberanista e anticomunista foi deixada de lado, uma vez que o presidente decidiu exonerar Ernesto Araújo e colocar em seu lugar o tucano Carlos França, que veio para a chefia do Itamaraty com o endosso e a aprovação do Partido Comunista Chinês.

Mas para os comunistas, e especialmente para o Partido Comunista Chinês, não basta apenas assumir o controle do Itamaraty: é necessário condenar, execrar e até mesmo humilhar o ex-chanceler por ser anticomunista e por ter tido a ousadia implementar uma política externa de defesa exclusiva dos interesses nacionais brasileiros.

O que vimos na manhã desta terça-feira é um retrato fiel de como o establishment político brasileiro, alinhado até a medula com os interesses econômicos e geopolíticos da ditadura comunista chinesa, está disposto a solapar a soberania nacional brasileira em favor destes interesses.

O que está sendo julgado e condenado na CPI da Covid no Senado Federal não é apenas a figura do ex-chanceler Ernesto Araújo: estão julgando e condenado a tentativa, já abortada, de um país mostrar-se soberano e altivo e não submisso aos interesses de uma ditadura comunista estrangeira.


 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE