por paulo eneas
Na abertura dos trabalhos da CPI da Covid nesta terça-feira (25/05) no Senado Federal, o relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), fez um pronunciamento que causou perplexidade na opinião pública ao comparar indiretamente as pessoas que estão depondo na comissão aos criminosos de guerra nazistas julgados pelo Tribunal de Nuremberg.

A fala do senador constituiu-se em um dos episódios mais sórdidos da história do parlamento brasileiro. Renan Calheiros não apenas associou ex-ministros da Saúde, incluindo um general do Exército Brasileiro, ex-integrantes do governo federal, médicos e outros depoentes ao criminosos de guerra nazistas.

O senador alagoano também banalizou o próprio Holocausto do Povo Judeu, ao equiparar, ainda que tentando retoricamente negar, uma instância investigativa do parlamento brasileiro, uma comissão parlamentar de inquérito destinada a investigar a pandemia, ao tribunal criado após a Segunda Guerra para julgar o crime do Holocausto perpetrado pelos nazistas.

Assim, Renan Calheiros colocou um sinal de equivalência ou de igualdade entre uma pandemia viral e o crime do Holocausto. O ex-secretário da Secom, Fábio Wajngarten, reagiu nas redes sociais à fala inaceitável do senador alagoano por meio da seguinte mensagem:

“Mais uma vez, membros da oposição banalizam o holocausto e demonstram desprezo pelo sofrimento do povo judeu, fazendo comparações absurdas entre uma situação única da história com situações contemporâneas que são alvo de divergência política”.

Fábio Wajngarten ainda questionou e cobrou a Confederação Israelita Brasileira, a Conib, a “condenar os abusos dos membros da CPI da Covid que fazem comparações totalmente descabidas entre a situação do nosso país e as atrocidades inenarráveis do holocausto”, lembrando que o “sofrimento do nosso povo não pode ser reduzido a instrumento retórico da política diária”.


 

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