por paulo eneas
Uma reportagem publicada pela Folha de São Paulo na noite de terça-feira (29/06) acusa um funcionário do Ministério da Saúde de ter pedido propina para a compra de vacinas da AstraZeneca, que seriam supostamente adquiridas por intermédio de uma empresa texana chamada Davati Medical Supply.

A reportagem traz uma entrevista com um certo Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que seria o representante da Davati Medical System. Este representante acusa o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, de ter feito o pedido de propina no valor de um dólar para cada dose de vacina que seria supostamente adquirida.

A fio inteiro da estória trazida na reportagem em forma de entrevista não resiste a poucos minutos de pesquisa sobre os envolvidos. Em primeiro lugar, a AstraZeneca afirma não possuir qualquer relação com a Davati Medical Supplies. As negociação das vacinas da AstraZeneca com o Ministério da Saúde são feitas por intermédio da Fiocruz.

Em segundo lugar, a empresa mencionada na reportagem possui todas as característica de ser uma golpista em nível internacional. Uma reportagem publicada no início de março deste ano por um website canadense mostra a tentativa de aplicação de possível golpe por parte da Davati Medical Supplies na província de Saskatchewan, no Canadá. Um trecho da reportagem afirma:

“We have indications from the companies that these [vaccines] offers are indeed, not legitimate”. The warning comes as the James Smith Cree Nation has reportedly tried to procure millions of vaccines from a Texas based medical supply company.

(…) The Saskatoon Star Phoenix reports that it has obtained a document from Davati Medical Supply LLC to the FSIN. The discussion document suggests that Davati Medical Supply could obtain six million AstraZeneca doses at a cost of $21 million. Even the provincial government is skeptical of the offer, as a government spokesperson says it does not appear to be legitimate.

A Davati Medical Supplies aparentemente também procurou atuar no Brasil. Uma longa reportagem de Lucas Regazzi mostra a tentativa de atuação da empresa em cidades do interior do Estado de Minas Gerais, fazendo-se passar por representante de indústrias farmacêuticas.

Por fim, a própria reportagem da Folha de São Paulo afirma que as tentativas da empresa Davati Medical Supplies junto ao Ministério da Saúde fracassaram, uma vez que o ex-secretário Executivo da pasta, Élcio Franco, rejeitou por duas vezes as propostas da empresa.


 

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