por paulo eneas
O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), concedeu entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (09/07) para dar uma reposta indireta a uma fala do Presidente Bolsonaro a respeito das eleições do ano que vem.

O Presidente Bolsonaro havia afirmado na quinta-feira que, diante do risco de fraude eleitoral, se não houver a implementação do mecanismo de voto impresso não haverá eleições no ano que vem. O presidente vem fazendo em todas as oportunidades a defesa da PEC que institui a auditabilidade do voto.

Usando de sua retórica oca e empolada, recheada de chavões progressistas e frases de efeito, Rodrigo Pacheco afirmou que as eleições irão ocorrer e que eventuais mudanças no sistema de votação serão decididas não pelo Judiciário ou pelo Executivo, mas pelo Legislativo.

O que Rodrigo Pacheco não teve a coragem de dizer é que a decisão do Congresso sobre o voto impresso será aquela que integrantes do Judiciário mandar.

Como a grande imprensa vem noticiando com uma inacreditável naturalidade, ministros do Tribunal Superior Eleitoral vem atuando de forma militante junto a parlamentares para barrar a PEC do voto impresso. Na semana passada, presidentes de onze siglas, incluindo aquelas integrantes do Centrão, reuniram-se com ministro do TSE para articular contra o voto impresso.

Logo após esta reunião, e atendendo determinação deste ministro, nove destes onze partidos trocaram os integrantes da Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa a PEC do voto impresso, conforme mostramos no artigo PEC do Voto Impresso Sofre Revés Na Comissão Especial da Câmara dos Deputados Após Reunião de Partidos Com TSE, publicado semana passada.

Após esta troca, a composição da comissão passou a ser desfavorável à PEC do voto impresso, de modo que existe o risco de a emenda não passar nem mesmo na Comissão Especial e, portanto, sequer ir à plenário para votação. Se isto ocorrer, será resultado da ação direta de integrantes do judiciário.

Portanto, a fala de Rodrigo Pacheco na coletiva desta sexta-feira não passou de bravata retórica oca e empolada recheada de jargões progressistas. O senador não teve a coragem de apontar o real motivo pelo qual o voto impresso corre o risco de não ser adotado, e se isso ocorrer não será por decisão livre e soberana do parlamento.

Rodrigo Pacheco está apenas fazendo um jogo ilusionista para esconder sua falta de coragem para defender a independência do Poder Legislativo. A mesma falta de coragem que ele demonstrou ao não anular a prisão ilegal de um depoente da CPI da Pandemia ocorrida esta semana por determinação do senador Omar Aziz (PSD-AM).


 

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