por paulo eneas
Em meio à perplexidade, que não é necessariamente surpresa, que tomou conta da opinião pública com a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) contendo o aumento para R$5.7 bilhões na verba pública para o fundo eleitoral, surgiu entre os apoiadores do governo a conjectura de que um hipotético acordo teria sido firmado para aprovar o aumento do fundo eleitoral em troca da aprovação da PEC do voto impresso auditável.

De nossa parte, não temos nenhuma informação que corrobore essa conjectura, e a consideramos pouco plausível. Primeiro, porque o aumento do fundão é uma vontade de parcela expressiva da própria Câmara dos Deputados, incluindo parlamentares da esquerda, que sabem que podem contar com o apoio do Centrão para esta finalidade.

A aprovação do aumento do fundão via dispositivo jabuticaba presente na LDO resultou também de erro de articulação, ou total ausência dela, da parte da articulação política do governo, que em tese está sob o comando da Ministra Flávia Arruda, também do Centrão.

Em segundo lugar, a intenção de derrubar a PEC do voto impresso auditável, que somente não foi derrubada na comissão especial na última sexta-feira (16/07) graças a habilidade dos deputados Paulo Eduardo Martins (PSDB-PR) e Filipe Barros (PSL-PR) que trabalharam o tempo todo com o “regimento debaixo do braço”, também atende interesses da esquerda, que também aqui pode contar com a ajuda do Centrão para levar adiante sua pauta.

Lembremos que a PEC do voto impresso auditável passou a sofrer um revés a partir da atuação política militante de magistrados junto aos presidente dos partidos, incluindo as siglas do Centrão. Foi a partir desta atuação militante que os integrantes da comissão especial que analisa a PEC foram alterados para que a comissão passasse a ter uma maioria contrária à emenda.

Portanto, tanto num caso como em outro, não existe atitude proativa da articulação política do governo. O que existe é o Centrão mostrando aquilo que ele sempre foi e continua sendo:

Um bloco político fisiológico, porém hábil o bastante para ocupar posições e até mesmo controlar setores de um governo de direita, ao mesmo tempo em que continua sendo permeável às pautas e interesses estratégicos da esquerda. O aumento fundo eleitoral e o risco da não aprovação do voto impresso auditável estão aí para mostrar isso.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE