por paulo eneas
Naquela que pode vir a tornar-se uma data histórica para a direita brasileira, o empresário Otávio Fakhoury assumiu nesta terça-feira (27/07) a presidência do Partido Trabalhista Brasileiro no Estado de São Paulo.

Juntamente com demais integrantes da executiva estadual do partido, todos eles oriundos dos movimentos de rua que surgiram no Brasil no final da era petista, a missão da nova direção partidária será desafiadora: tornar a agremiação política um genuíno e autêntico partido conservador e de direita no país.

A última vez que existiu um partido realmente de direita  no Brasil foi ainda antes do início do regime militar, quando figuras como Carlos Lacerda e alguns outros se destacavam como lideranças nacionais do campo à direita do espectro político brasileiro. Desde então, passado mais de meio século, todos os partido políticos brasileiros que vieram em seguida situam-se à esquerda ou à centro-esquerda, quando muito, do espectro político nacional.

O presidente nacional do partido, Roberto Jefferson, vem há muito tempo atuando no sentido de promover mudanças internas no PTB para dar à sigla as feições de uma agremiação política alinhada aos valores conservadores e de viés direitista. Defensor incondicional do Presidente Bolsonaro, Roberto Jefferson deixou claro em sua fala o apoio à reeleição do presidente, ainda que ele concorra por outro partido.

O convite para o empresário Otávio Fakhoury assumir o comando do PTB em São Paulo partiu de Roberto Jefferson, por conta também do histórico de relações dele com a família do empresário, além obviamente do alinhamento político em torno de um projeto conservador e de direita. A expectativa, segundo o novo presidente estadual do partido em São Paulo, é que o PTB venha a ser o aglutinador natural dos conservadores e da direita no Estado.

O potencial de sucesso deste projeto político conservador está na mesma proporção da ausência de iniciativas do Presidente Bolsonaro no sentido de liderar a formação de uma agremiação com estas características, após o naufrágio do projeto do Aliança Pelo Brasil: os conservadores e a direita em geral ficaram literalmente sem norte, e a pulverização de candidaturas conservadoras nas eleições municipais recentes evidenciou este fato.

Além de Otávio Fakhoury na presidência do PTB-SP, a nova executiva é formada pelo deputado estadual Douglas Garcia, por Edson Salomão, Flavio Beal, Patrick Folena, Marcos Belízia, entre outros, todos eles integrantes dos movimentos de rua de viés conservador  surgidos em São Paulo em anos recentes.

Segundo o agora presidente do PTB-SP, Otavio Fakhoury, a sigla está passando por um processo de redefinição de estatutos e programa partidário para refletir seu novo perfil de direita e conservador. Além disso, o PTB tem sido a única agremiação que tem atuado em ações e outras iniciativas que são reservadas a agremiações partidárias, inclusive junto ao Supremo Tribunal Federal, em favor das pautas conservadoras de direita.

Na conversa conosco, o presidente do PTB-SP lembrou também que o partido foi a única agremiação política brasileira a manifestar-se oficialmente em favor do povo cubano e a condenar a ditadura comunista reinante naquela ilha durante as manifestações recentes, conforme mostramos no artigo Revolta Em Cuba: PTB Publica Nota de Apoio Ao Povo Cubano Enquanto Demais Partidos Se Calam Ou Apoiam A Ditadura Comunista, publicado em meados de julho deste ano.

Sobre o possível candidato da sigla ao cargo de Governador de Estado para as próximas eleições em São Paulo, Otávio Fakhoury afirmou que a intenção é trazer tanto Abraham Weintraub quanto Luiz Philippe de Orleans e Bragança para o partido, e que a definição do nome para a disputa do governo estadual ainda está em aberto.

Na edição noturna de terça-feira (27/07) do Jornal Crítica Nacional fizemos um relato e uma análise ao vivo do significado e das implicações da mudança ocorrida no PTB em São Paulo, agora sob o comando dos conservadores. O trecho de vídeo abaixo traz nossas considerações.



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