Segue abaixo o texto e o áudio trazendo a íntegra do pronunciamento do Prof. Hermes Rodrigues Nery na audiência pública realizada em 30 de agosto de 2021, na Comissão de Seguridade Social e Família, na Câmara dos Deputados, sobre o Projeto de Lei que cria o “Certificado de Imunização e Segurança Sanitária”.



Sres. Deputados,

Na sessão de 6 de julho de 2021, esta Casa Legislativa rejeitou por 232 votos favoráveis e 232 votos contrários, com 4 abstenções, o requerimento de urgência para o Projeto de Lei que cria o “Certificado de Imunização e Segurança Sanitária”. Como não alcançou o quorum de 257 votos necessários, não foi aprovado, vindo, para as Comissões (pleito nosso), aonde agora começa a ser debatido na Comissão de Seguridade Social e Família, do qual agradeço a Deputada Chris Tonietto (PSL-RJ) pelo requerimento que propiciou a realização desta audiência pública.

O mundo inteiro ainda está sob o impacto da pandemia do coronavírus, que continua fazendo vítimas, com efeitos devastadores. Não só as vítimas da doença, no qual nos solidarizamos com as famílias, mas vítimas também das medidas abusivas, antinaturais, desumanas e desproporcionais, que foram tomadas como respostas à pandemia, na lógica de um cientificismo de ideologia utilitária.

Muitas dessas medidas sem embasamento científico efetivo, foram fomentadas pela propaganda, pela retórica, e por pérfidos interesses. Os efeitos também tem sido devastadores no campo da saúde mental (com abalo emocional, psicológico, principalmente entre as crianças).

E ainda no campo econômico, com o enriquecimento de 1% da populacional mundial. É só fazer a pergunta: quem lucra com a pandemia?  São os que têm se favorecido de tais medidas e feitos da pandemia um negócio (com um transbordamento do limite ético): solaparam as condições de trabalho de pequenos e médios empreendedores, forçando a automatização da sociedade, para relegar os menos aptos, num futuro próximo (como querem), à dependência de uma renda básica universal, aviltante.

Os abusos de tais medidas, cujos efeitos comprovados no cotidiano, por fatos concretos, nos levam a indagar: trata-se de controlar a doença ou controlar as pessoas, ou pior ainda: controlar a vida, em todos os seus aspectos? Trata-se de defender o bem comum (como se tem dito eufemisticamente “em nome da Saúde Pública”) ou de uma espécie de “coletivismo opressor”? Terá sido a pandemia um catalisador para outros fins que extrapolam o combate à covid 19?

Teria sido para isso – para forçar e acelerar as novas condições sociais e econômicas para a indústria 4.0 e a Sociedade 5.0, que a própria OMS mudou o conceito de pandemia, em 2009? As medidas abusivas adotadas (muitas delas gestadas em exercícios e simulações de cenários, desde a Operação Dark Winter (2001), os Simpósios Keystone (2004), teriam motivações políticas, ideológicas e econômicas acima das sanitárias, usando a defesa da Saúde Pública como pretexto?

Quem se responsabilizará pelos danos cometidos por tais abusos? Até hoje as investigações sobre a origem do Sars-Cov 2 (vejam o que diz Li-Meng Yan, Monika Chansoria, Dr. Steven Quay, Dr. Richard Müller e outros) suscitam apelos pela responsabilização do vazamento (acidental ou intencional?) no laboratório de Wuhan, sobre o “ganho de função” que tornou o coronavírus mais virulento. Sobre tudo isso pairam sombras espessas e a busca por responsabilizações.

As respostas dadas à pandemia, tem gerado questionamentos pertinentes e ceticismo justificado por muitas interrogações, com implicações bioéticas profundas, em meio a dilemas e desafios que afetam toda a humanidade (o próprio sentido de humanidade), em todos os campos da vida, e que requerem de nós, especialmente daqueles que tem poder de decisão, o discernimento, a responsabilidade, a solidariedade e as boas iniciativas, o compromisso com a verdade e não apenas com interesses.

Sres. Deputados,
Os especialistas em Bioética  como Michel Schooyans, por exemplo, em “Dominando a Vida, Manipulando os Homens”, alertam, desde o final do século 20, sobre como a biotecnologia pode tornar-se uma arma de controle sobre as pessoas (e uma arma contra as pessoas), para engendrar uma realidade distópica, aonde em nome da “Saúde Pública” (e depois em nome do “Meio Ambiente”), será justificado um totalitarismo, em nível global, com a biotecnologia e a cibernética como ferramentas de poder para tais fins.

Schooyans chega a falar em “violência biomédica”, aonde uma nova espécie de casta social, formada por tecnocratas (os biocratas) exercerão na sociedade um poder desmesurado sobre as pessoas. A nanotecnologia e a bio-computação já tem sido utilizados para isso, com avanços consideráveis, pois “o biopoder é codificado nas práticas sociais e no comportamento humano”. Por isso, as respostas à pandemia, tem sido nesse sentido motivos de sérias preocupações.

Nesse contexto, o passaporte vacinal (como parte de uma estratégia para forçar um “novo normal” para fins biopolíticos) é a iniciativa legislativa que pavimentará o novo totalitarismo, em curso, atendendo assim as exigências de um estado mundial de controle sobre as pessoas, sem precedentes na história. Temos então o imperativo bioético e moral de dizer ao Brasil e ao mundo: Não se trata de “Segurança Sanitária”, mas de Ditadura Sanitária.

Estudos acadêmicos mostram como a resposta à covid 19 (partindo principalmente da China, de onde se manifestaram os primeiros casos da doença), como esta resposta foi exportada para o mundo, com o viés autoritário, como relata, por exemplo, a  reportagem “Visão preocupante da China para o futuro da saúde pública”: “por que o modelo de Pequim não deve se tornar o modelo do mundo”.

O tema foi explicitado, por exemplo, no estudo “Autoritarismo Digital, China e Covid”, ressaltando que “o coronavírus apresentou as capacidades de controle social da China com base na tecnologia cibernética, com implicações para os direitos humanos em todo o mundo”.

No Senado norte-americano também foi produzido um relatório na Comissão de Relações Exteriores chamando a atenção para isso: para o “autoritarismo digital e suas ferramentas e táticas para todo o mundo”, corroborando o que diz Alison McDowell: “cumprir com programas como  passaportes de vacinas  que exigem uma identidade digital abre as portas para um nível de dominação que também atingirá as crianças”.

Vemos o quanto as crianças tem sido afetadas pelas medidas abusivas. O passaporte sanitário será um meio para reforçar um sistema de poder e dominação sobre as pessoas (contra as pessoas), criando “regras arbitrárias que podem ir contra valores humanos fundamentais”, regras que “podem não ser lógicas, podem não fazer sentido, colocadas num sistema que é quase um panóptico digital”.

O passaporte sanitário enrijecerá mecanismos de controle sobre as pessoas. Começa com o controle da mobilidade, mas depois virão outras restrições, para um adestramento e segregação – como num apartheid sanitário.

Coagir as pessoas a acatarem tais medidas abusivas é uma forma sofisticada de violência inaceitável, como a vacinação em massa (em meio a tantas interrogações sobre seus compostos e o modo célere como foram desenvolvidas, etc.), sem o consentimento informado (o que fere o Código de Nuremberg) e sem respeitar o livre-arbítrio de cada um, é solapar os direitos civis básicos e constitucionais (os verdadeiros direitos humanos).

Tais biocratas querem determinar o que cada um pode ou não fazer, na lógica de um cientificismo que se impõe como uma espécie de credo religioso.

Sres. Deputados:
O policiamento das ideias já existente nas redes sociais e plataformas digitais explicitam a homogeneização de um pensamento único que se impõe, com os dispositivos tecnológicos que massificam com maior eficácia, para excluir rapidamente qualquer dissenso.

Porque a mídia, desde o início, vem disseminando diariamente, em todos as localidades do mundo, o que Trusted News Inititative (TNI) determinou como noticiável, com supressões no noticiário internacional de muitas iniciativas que poderiam efetivamente “salvar vidas”, mas preferiram – como ainda fazem – um roteiro que silencia, hostiliza, penaliza médicos, cientistas, pesquisadores e outros especialistas que refutam corajosamente as medidas abusivas e as falsas soluções apresentadas, com danos ainda muito maiores em vítimas humanas, pela conivência da mídia a tão poderosos interesses.

Daí que a mídia, em todo o mundo, vem impondo a narrativa de que sem vacinas e sem passaportes digitais não haverá a “nova normalidade” (que tem mais de anormalidade, do que “nova normalidade”) esse “novo normal” como chamou pela primeira vez, ainda em 2004, Julie Louise Gerberding, que favorece outros interesses – como temos afirmado desde o início da pandemia – principalmente de ordem econômica, para favorecer os fins da quarta revolução industrial.

Sabemos que “a tecnocracia é a ciência da engenharia social”, por isso tais medidas (que o passaporte sanitário contribui para sua execução) quer levar todo o planeta à sociedade tecnocrática das “cidades inteligentes” com biossensores (quase 100% digitais), ao transhumanismo, aos objetivos expostos nas plafatormas do Forum Econômico Mundial e nos relatórios das grandes fundações internacionais, como a Rockefeller, que trabalha para isso há décadas), para “decidir como você deve viver no mundo”, segundo os seus interesses desumanizantes.

E para isso impõe agora ao mundo, vacinas experimentais, com tecnologias não convencionais, aprovadas celeremente, sem a inteira transparência: (aonde estão as amostras laboratoriais?) E o que vimos, foi a pressão de poderosos lobbys sobre as agências reguladoras para flexibilizarem os critérios de aprovação das vacinas [em caráter experimental], com contratos sigilosos, sem que as indústrias farmacêuticas se responsabilizem pelos danos de efeitos adversos e óbitos.

Causou perplexidade também, aqui no Brasil, que o próprio Supremo Tribunal Federal, em seu desmedido ativismo judicial, favoreceu também a obrigatoriedade indireta da vacinação em massa (em todas as faixas etárias), respaldando assim decretos com sanções desmedidas e inconstitucionais, que já se alastram em vários municípios do País, agravando a enorme insegurança jurídica e tensões muito preocupantes.

O filósofo italiano Giorgio Agamben adverte quanto aos propósitos de imposição em todo o mundo, de um “modelo de sociedade controladora”, com proporções assustadoras pelo caráter totalitário, pretendendo num futuro próximo usar  a internet de bio-nanothings, a internet dos corpos, para os fins do poder global. Há uma dificuldade de entender como esse controle também “está vinculado aos mercados financeiros”, para uma securitização da vida, com os govcoins [para “transferir o poder dos indivíduos para o estado, alterar a geopolítica e mudar a forma como o capital é alocado”.

Nesse sentido, os objetivos de longo prazo com a implantação do passaporte sanitário, visa, mais na frente, “incluir dados de saúde, trabalho e financeiros juntos em um único sistema de identificação, que determinará o acesso a alimentos, cuidados de saúde e mobilidade”.

E então indagamos: até que ponto podemos aceitar isso?

Por isso, Sres. Deputados, já estão ocorrendo grandes manifestações, em várias partes do mundo, contra o passaporte sanitário, com protestos vigorosos, mas a mídia mundial não está dando o destaque devido aos atos públicos impactantes.

Voltamos a indagar: a quem interessa tudo isso?
E então constatamos que interesses políticos e econômicos prevalecem sobre as justificativas sanitárias, com “protocolos médicos prescritos, muitos dos quais são financiados pelos mesmos que irão se beneficiar em mantê-los contidos em um blockchain”, para “controlar o corpo e gerenciar a saúde”, como lhes convém.

Seu objetivo a médio e longo prazo é o futuro transhumanista, pois que, para “modificar lentamente populações inteiras geneticamente, eles precisam de um sistema de manutenção de registros realmente eficaz” (daí a tecnologia blockchaim, para o monitoramento da saúde).

E o que vemos então, quando nos deparamos com os passaportes sanitários: um cenário para além do Admirável Mundo Novo, com obsessões totalitárias de utilizar “ferramentas de áreas como a biologia sintética e a nanotecnologia aplicadas a dispositivos de computação”, para “rastrear as atualizações de software em seres humanos” [como chegou a  declarar Tal Zacs, o médico israelense que trabalhou para a Moderna, [“na verdade, estamos hackeando o software da vida”], com “registros eletrônicos de saúde que poderão ser usados para rastrear terapias genéticas ao longo do tempo e entre indivíduos”, obsessão transhumanista que “basicamente significa remover os elementos humanos da vida”, daí a estratégia do novo normal, que os passaportes sanitários servem para instituir.

Sres. Deputados, para finalizar, a tecnologia que poderia promover o ser humano, pode também voltar-se contra ele, oprimindo-o de uma tal forma, sem precedentes na História. O passaporte sanitário é um primeiro passo nesse sentido, “para estabelecer um terror sanitário implacável”.

1% da população mundial, investem na pandemia como negócio e financiam os biocratas para seu projeto de poder global. Esta parte rica e tecnocrática, no mundo, não eleita, está decidindo como devemos viver na sociedade controladora que eles engendraram (o corpo como máquina, com a aniquilação do que é soberano na pessoa humana, está decidindo o que deve prevalecer nas decisões políticas, decidindo por uma vida condicionada apenas pela sobrevivência biológica, erradicando de cada pessoa justamente o que a faz um ser humano, em dimensão integral, dotado de corpo e alma.

Ao suprimir o livre-arbítrio das pessoas, impondo um padrão de conduta antinatural, a justificativa sanitária é utilizada para o terror totalitário, de grande tribulação. Querem tomar o corpo e alma das pessoas, despessoalizando-as, desumanizando-as, tornando-as objetos, reféns e vítimas. Por isso a hora agora é de vigilância e de posicionamento firme contras as “forças impessoais” que querem tolher a liberdade e a dignidade da pessoa humana.

Por isso é necessário aqui, na Câmara dos Deputados, rechaçar o passaporte sanitário, para que o Brasil, “gigante por natureza” possa dar uma resposta melhor à crise em que vivemos, para que o mundo conheça a alma generosa e libertadora da nação brasileira.

Muito obrigado.
Prof. Hermes Rodrigues Nery é Especialista em Bioética e Coordenador Nacional do Movimento Legislação e Vida. Email: [email protected]


Segue abaixo a íntegra da transmissão em vídeo da audiência pública, contendo as falas de todos os participantes. O pronunciamento do Prof. Hermes Nery começa em 1h57min. Ao final da audiência, o professor conversou conosco sobre as implicações do passaporte sanitário.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE