por paula felix
A segunda edição do CPAC Brasil foi uma festa: políticos, diplomatas, jornalistas, humoristas, escritores, digital influencers, personalidades do cenário conservador-liberal e até um membro da família real brasileira dividiram o palco com refugiados cubanos, argentinos e venezuelanos e políticos estrangeiros, com destaque para o pimpolho de Mr. Trump.

Um evento voltado ao marketing político, à promoção de nomes que concorrerão ano que vem contra as urnas eletrônicas e a dar ao púbico conservador a sensação de que não estamos sozinhos, que somos muitos, que somos fortes, que não vamos desistir e até que, afinal, venceremos. Um intervalo festivo no clima de opressão constante que a ditadura juristocrática nos tem imposto.

Para bom entendedor, o evento foi, de cabo a rabo, Olavo de Carvalho: idéias que ele pôs em circulação, decorrências lógicas de seus ensinamentos e jargões criados pelo Professor, sem que seu nome tenha sido mencionado oficialmente, ainda que Bernardo Küster e Roberto Motta o tenham feito em suas respectivas palestras.

Este, aliás, foi o pecado do CPAC: usar a badalação para encobrir a tentativa de ostracizar cada personagem que já tenha ousado criticar o presidente Bolsonaro, ainda que sem negar-lhe apoio. O auditório, encantado, não notou.

À simples menção do nome do presidente, vinha abaixo em gritos de mito e palavras de ordem, e nem mesmo quando Bolsonaro veio pessoalmente com uma vasta comitiva de ministros e aliados políticos a serem apresentados a seus futuros eleitores e elogiou ex-ministros, esquecendo-se de mencionar os Weintraub, que haviam discursado pouco antes, pareceu notar alguma contradição.

Mas este esquecimento não foi nada que se comparasse à palestra em que o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Filipe G. Martins, a propósito da perseguição política aos conservadores, citou, ao lado de Roberto Jefferson e Daniel Silveira, o jornalista Oswaldo Eustáquio e os cidadãos Jurandir e Bronzieri como exemplo de presos políticos do STF, sem nenhuma menção a Sara Winter, Renan Souza, Érica Viana e Mito Show, que ficaram ilegalmente presos por quase um ano e meio. Os ativistas foram apagados da história do conservadorismo? Estamos reescrevendo o passado?

O púbico, hipnotizado, não pareceu se importar. Quem não se encanta com um presidente que, ao contrário de todos os nossos políticos, fala não o que o povo gostaria de ouvir, mas o que o povo gostaria de falar? Bolsonaro defendeu o artigo 5⁰ da constituição, o tratamento precoce da covid e a liberdade de expressão, pra delírio dos cidadãos tiranizados por prefeitos e governadores e acuados pelo STF.

É o que temos para hoje. Mais, é o que precisamos para hoje: crer que nossas manifestações pacíficas de feriado terão, desta vez, o condão de infundir temor naqueles alçados ao poder totalitário.

Contudo, o tempo vai passar, e se este CPAC será lembrado pela visita de Bolsonaro às vésperas do que, esperamos, seja a maior manifestação cívica da história do país, será igualmente lembrado por aquilo que omitiu. Pilares do conservadorismo brasileiro que não pagam pedágio à política, como o Instituto Borborema, Senso incomum, Crítica Nacional ou Estudos Nacionais, passaram ao largo do evento.

Se por um lado é alvissareiro testemunhar o desenvolvimento de uma nova política, com uma linguagem, que não paga pedágio à língua de pau da esquerda e que é fundamental para a cultura conservadora, por outro é impossível que esta alegria não se turve com a ingratidão e a maldade contidas no silêncio destinado a quem quebrou a hegemonia cultural esquerdista há 30 anos, tornando possível o renascimento cultural brasileiro, assim como às primeiras vítimas da ditadura judiciária, cidadãos presos ilegalmente por tentar organizar aquilo que hoje vemos que mais nos faz falta: militância.

Paula Felix é uma brasileira comum, evangélica, mãe divorciada de um casal de adolescentes, um gato e uma cadela (isto é uma enumeração, não um aposto, por favor!), que cultiva temperos na varanda e se matriculou no Seminário de Filosofia do Professor Olavo de Carvalho na esperança de escapar do caos mental que nascer no Brasil costuma provocar. Nas horas vagas, é perita bióloga do MPU, mestre em Biologia Celular e Estrutural pela UNICAMP e primeira pessoa detida no Brasil por não usar máscara durante a fraudemia, termo que cunhou.


 

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