por paulo eneas
O fracasso já esperado das manifestações da esquerda realizadas em algumas cidades do país neste domingo (12/09) permite tirar algumas conclusões imediatas sobre o cenário político nacional.

A primeira e mais importante é que, comparando estas manifestações com aquelas que têm sido realizadas pelos apoiadores do Presidente Bolsonaro, a conclusão é óbvia: o presidente brasileiro é o único líder político nacional cuja base na sociedade consegue mobilizar milhões para irem às ruas em seu favor.

A segunda conclusão imediata é que o campo político que passou a ser identificado como Terceira Via, que pretende oferecer-se como alternativa de centro ao petismo e ao bolsonarismo e que organizou estas manifestações fracassadas, está longe de estar organicamente estruturado para conseguir deitar raízes na sociedade.

No entanto, ao contrário do que afirmam algumas figuras públicas da direita, não é possível concluir que a “terceira via não existe”, pois esta terceira via não se limita a um ensaio de alternativa eleitoral supostamente de centro. A viabilização da terceira via não depende de seu apego eleitoral imediato, até por que as eleições ocorrerão somente daqui um ano.

Ao afirmar que a terceira via não existe, a direita peca por analisar o cenário exclusivamente em termos eleitorais, e não em termos de relações de poder de longo prazo, que por sua vez não depende de resultados eleitorais.

O fracasso da primeira tentativa de expressão pública e popular da chamada terceira via não elimina nem exclui a existência de um projeto de poder do establishment político, projeto este representado por esta terceira via, cuja viabilização no médio prazo não irá depender de sua aprovação popular prévia neste momento e menos ainda de resultados eleitorais.

Por fim, no que diz respeito ao campo da direita, seu imenso poder de mobilização de ativistas mostrado nas manifestações recentes, principalmente as de 7 de setembro, precisa ser canalizado em favor de pautas da direita. Pautas estas que estão sendo relegadas a um segundo plano em favor unicamente de um horizonte eleitoral que passou a ditar não apenas as ações de governo como de toda sua base de apoio.


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