por paulo eneas
O Presidente Bolsonaro afirmou em entrevista nesta quinta-feira (15/10) à Rádio Novas Paz de Recife (PE) que ele poderia impor o passaporte vacinal e decretar lockdown total no país se assim o desejasse, mas que jamais faria isso:

“Eu tenho poderes para, via decreto, fazer com que o passaporte vacinal seja imposto em todo o Brasil. Eu tenho poder também de decretar lockdown hoje em todo o Brasil, mas jamais eu farei isso”, afirmou o presidente na entrevista, expressando uma verdade, mas ignorando o fato de que ele próprio sancionou a Lei 13.979 que serve de base legal para a imposição do passaporte vacinal que vem ocorrendo em todo o país.

“Qual recado eu quero dar pra vocês? Eu estou aqui, no momento, na cadeira presidencial, estou sentado nela. Se tivesse aquele cara que foi segundo lugar nas eleições de 2018, pode ter certeza de que ele teria assinado decretos nesse sentido. O pessoal critica o presidente da República, mas tem que ver o que nós estamos fazendo”, disse o presidente, recorrendo novamente a uma comparação das ações de seu governo com aquelas que seriam adotadas por um hipotético governo petista de Fernando Haddad.

“Eu não fechei uma só casa de comércio. Poderia ter fechado todo o Brasil. Muitos governadores e prefeitos fizeram barbaridades e continuam fazendo até hoje”, disse Bolsonaro na entrevista. O que é rigorosamente verdade, mas que não elide o fato de que estas ações de governadores e prefeitos ocorreram justamente por conta da aceitação por parte do presidente retirada das prerrogativas do Poder Executivo como autoridade legítima para definir as políticas nacionais de enfrentamento à pandemia.

Na edição da tarde do Jornal Crítica Nacional da última sexta-feira (15/10) comentamos a respeito da estratégia usada pelo Presidente de quase sempre comparar as ações de seu governo com as ações que seriam adotadas por um hipotético governo do petista Fernando Haddad. O vídeo com nosso comentário pode ser visto abaixo.


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