por paulo eneas
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Pandemia, do Senado Federal, realizou nesta quarta-feira (20/10) a leitura de seu relatório final dos trabalhos da comissão. Conforme esperado, o relatório incrimina o Presidente Bolsonaro, procurando responsabiliza-lo penalmente pelas mortes ocorridas durante a pandemia do vírus chinês.

O relatório também sugere a incriminação de diversas outras pessoas, incluindo militares, parlamentares, médicos, jornalistas e empresários. O documento faz largo uso da ideia de que a suposta disseminação do que o relator chama de fake news teriam contribuído para as mortes ocorridas durante o surto epidêmico e procura também criminalizar médicos que se propuseram a tratar de pessoas com Covid-19.

Há uma insistência na tese de um suposto gabinete paralelo, denominação dada aos profissionais que aconselharam o presidente no decorrer da pandemia, atribuindo a este suposto gabinete o crime de pandemia em modalidade culposa.

O conteúdo do relatório não surpreende.  Desde o início dos trabalhos da CPI da Pandemia, o Crítica Nacional vem antecipando que o objetivo final da comissão seria tentar incriminar o Presidente da República, o que ficou evidenciado no relatório agora apresentado.

Ocorre que esta parece não ter sido a percepção do Governo desde o início dos trabalhos da CPI da Pandemia. Quando da instalação da comissão em maio deste ano, o ministro das Comunicações, Fabio Faria, havia afirmado que o Presidente Bolsonaro seria o maior beneficiado da CPI. Em entrevista à CNN Brasil naquele mês, o ministro do Centrão afirmou:

“A CPI vai esclarecer para todo o Brasil o que realmente aconteceu de fato. Será uma oportunidade de provar que o governo federal não cometeu nenhuma irregularidade no combate à pandemia. Não tem nenhum desvio, fizemos o dever de casa”.

Se foi esta a percepção do governo desde o início, acreditando ingenuamente numa hipotética investigação neutra a ser conduzida pela comissão, isto explica o conjunto enorme de erros cometidos no decorrer destes meses.

Em momento algum o governo preocupou-se em montar estratégias de atuação na comissão, não formou sua “tropa de choque”, não preparou-se nem municiou sua base de apoio na sociedade para fazer frente às narrativas que foram sendo criadas ao longo dos trabalhos da comissão.

O governo não conseguiu nem mesmo, no âmbito do Ministério da Saúde, adotar medidas institucionais para dar respaldo aos médicos que tratavam de pessoas com Covid-19. Os médicos e cientistas pesquisadores que voluntariamente se propuseram a dar aconselhamento ao presidente para fazer o enfrentamento à pandemia foram entregues à própria sorte e hoje estão sendo criminalizados.

Se o erro brutal de avaliação cometido pelo ministro Fabio Faria, um dos principais conselheiros do presidente, serviu de guia para o posicionamento do governo no decorrer dos trabalhos da comissão, isto explica muitos dos erros posteriores que foram cometidos.

Resta sabe ser este erro de avaliação de  Fabio Faria foi apenas incompetência do ministro ou se foi sabotagem deliberada, que deixou o governo desarmado frente a armadilha que estava sendo preparada na comissão e que ficou agora materializada no relatório final.


 

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