por paulo eneas
O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (01/11) que definirá seu futuro partidário até março do ano que vem. O presidente não está filiado a nenhum partido político desde o rompimento com o PSL, sigla pela qual elegeu-se em 2018. O projeto de formação do partido Aliança pelo Brasil não se viabilizou a tempo nem para as eleições municipais nem para as próximas eleições gerais, de modo que o presidente precisará abrigar-se em uma sigla caso resolva disputar a reeleição.

Segundo o próprio presidente, as três siglas partidárias cogitadas são o PP, o PRB (Republicanos) e o PL, todas elas integrantes do Centrão, o bloco parlamentar fisiológico que ocupa os principais postos no governo federal. Quando o presidente Bolsonaro selou sua aliança com o bloco, trazendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI) para chefiar a Casa Civil, o presidente afirmou alto e em bom tom: “sempre fui do Centrão”.

Por sua vez, o PTB, partido presidido pelo ex-deputado Roberto Jefferson, iniciou há cerca de um ano um processo de transformação interna procurando colocar-se como opção partidária para os conservadores.  Esta transformação incluiu mudanças no estatuto e nos diretórios regionais, que em muitos estados foram entregues aos ativistas historicamente ligados ao movimento conservador surgido no país em anos recentes.

O PTB colocou-se como opção de sigla partidária para o presidente Bolsonaro disputar a reeleição, opção esta que o presidente aparentemente descartou, dando preferência às opções nada seguras das siglas do Centrão. O apoio que o PTB vem dando ao governo até o momento não resultou em nenhum benefício para o partido.

Por sua vez, a oferta de siglas partidárias do Centrão ao presidente vem ao custo de cargos na administração federal, sem qualquer contrapartida de compromisso dos parlamentares deste bloco com determinadas pautas do governo, como ficou claro na votação da PEC do voto impresso.

Mas enquanto o PTB prossegue com seu objetivo de abrigar os conservadores para a disputa eleitoral do ano que vem, independentemente da escolha partidária que o presidente venha a fazer, a militância do Centrão nas redes sociais, formada por youtubers e influencers, segue atuando na missão de demonizar o partido.

Sob o pretexto de apoiar o presidente, esta militância virtual do Centrão ocupa-se em grande parte em promover ataques ao PTB, questionando os compromissos programáticos recentes assumidos pela sigla e sua atuação concreta em defesa de pautas conservadoras, e ignorando o fato que o partido está há algum tempo abrigando e viabilizando a atuação de parlamentares e de ativistas do campo conservador.

O objetivo desta atuação da militância virtual do Centrão não é apenas atingir o partido em si, mas impossibilitar qualquer organização política partidária dos conservadores, o que em última instância atende aos interesses do establishment político, que já apossou-se em grande parte do governo federal via Centrão, e das próprias esquerdas.


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