por paulo eneas
Durante a exibição de um programa jornalístico na manhã desta segunda-feira (29/11), a comentarista da CNN Brasil referiu-se a João Doria e a Sérgio Moro como sendo pré-candidatos presidenciais  “de direita”. A afirmação foi feita com naturalidade e sem qualquer consideração a respeito dos projetos políticos e das respectivas trajetórias de ambos os aspirantes à presidência, como se fosse natural e evidente por si só considera-los candidatos de uma suposta direita.

Ao referir-se aos dois pré-candidatos do campo socialdemocrata como sendo de direita, a grande imprensa explicita sua intenção de formar no imaginário do eleitor a ideia de uma suposta “direita permitida”, e desta forma escantear para fora do debate político qualquer discurso genuinamente conservador e de direita que venha a apresentar-se para a disputa presidencial. Esta pretensa direita permitida ou moderada será reforçada pela retórica do antipetismo de conveniência e de ocasião.

Uma retórica da qual o próprio João Doria valeu-se em sua disputa para prefeitura paulistana ainda em 2016, e que foi eficiente o bastante até mesmo para seduzir naquele ano um segmento do eleitorado conservador supostamente esclarecido, que chegou a ver no tucano um representante de uma suposta Nova Direita. Até livros foram escritos por liberais discorrendo sobre isso, e todos erraram miseravelmente no diagnóstico.

Esta retórica antipetista encampada sob o rótulo de uma direita permitida e aceitável ao establishment não impedirá no entanto que no decorrer da disputa os petistas venham a apoiar João Doria ou Sérgio Moro ou ambos, caso venham a compor, pois a real disputa não será entre esta direita fake endossada pela imprensa e a esquerda petista, mas o embate destes dois campos contra qualquer projeto genuinamente de direita e conservador que venha a apresentar-se para a disputa.

A tentativa que será feita de emplacar no imaginário do eleitor a ideia desta direita fake permitida, que na verdade é a socialdemocrata alinhada com a agenda globalista, interesses chineses e com todas as pautas identitárias da própria esquerda socialista do tipo psolista, irá confrontar diretamente com a estratégia adotada até aqui pelo presidente Bolsonaro de apresentar-se como alternativa ao risco de uma volta do petismo.

Este cenário que está sendo desenhado evidencia o que o Crítica Nacional vem alertando desde o impeachment da ex-presidente petista: o erro que a direita comete em apostar toda sua estratégia unicamente no antipetismo, esquecendo-se que o embate real está entre os conservadores e o campo socialdemocrata e liberal, permeável às agendas da própria esquerda socialista e, claro, à agenda anti-soberanista dos globalistas.

Já em 2016 alertávamos para os limites do antipetismo como estratégia política para a direita, e mostramos este fato em um artigo publicado naquele ano na versão antiga de nosso website, e que foi recuperado e republicado no artigo Como O Antipetismo de Conveniência Enganou Parte da Direita, publicado em abril deste ano.


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