Como todo progressista, Sérgio Moro tem que ser enfrentado não por meio de uma retórica pseudo-moralista pequeno-burguesa baseada em factoides. Ele tem que ser confrontado pela reafirmação dos valores da agenda conservadora que foi vitoriosa nas últimas eleições e que precisa ser resgatada e trazida novamente ao centro do debate político nacional no ano que vem.


por paulo eneas
A eleição presidencial do ano que vem no Brasil tem um grande potencial de ser pautada pela presença ostensiva de um discurso progressista, onde o que chamamos aqui de progressismo é a versão soft da agenda esquerdista-globalista.

A história política recente do país, marcada pela ascensão de um movimento de direita que iniciou-se com o rechaço ao petismo a partir de 2013 e avançou na formulação de um projeto de cunho conservador para o país materializado no programa de governo aprovado nas urnas nas eleições de 2018, corre o risco de sofrer uma inflexão no pleito presidencial de 2022.

As circunstâncias políticas e institucionais ao longo destes três anos de Governo Bolsonaro não permitiram cristalizar na população a percepção de que a solução dos principais problemas do país passa pela reafirmação de uma agenda conservadora em contraposição ao progressismo esquerdista que vem prevalecendo há décadas, e que se constitui na raiz dos grandes problema nacionais.

Muitas das ações do próprio governo, principalmente após a aliança com o Centrão, serviram para sedimentar este terreno favorável ao progressismo, como a ampliação do assistencialismo estatal, a adoção de programas e aprovação de leis alinhadas com agenda identitária e feminista, a completa rendição à agenda ambientalista globalista internacional, a reversão da política externa soberanista do início do governo.

Dentre os pré-candidatos colocados no momento, ninguém melhor que o ex-juiz Sérgio Moro para espelhar esta agenda progressista que irá permear os discursos eleitorais do ano que vem. Uma agenda progressista que virá acompanhada de uma elevada dose de autoritarismo, como o próprio ex-juiz já demonstrou em suas falas sobre episódios recentes na vida política nacional.

No entanto, os bolsonaristas até este momento não estão tendo a habilidade política necessária para fazer frente a Sérgio Moro e à agenda progressista que ele representa. Guiados por briefings de caciques políticos do Centrão, bolsonaristas têm se mostrado amadores neste embate, pois insistem em fazer frente a Sérgio Moro por sua atuação na Lava Jato. Uma atuação que foi longe de ser exemplar.

Ocorre que, considerando a percepção presente no imaginário da maioria da população, imaginário este que foi construído em parte pela própria direita que ajudou, ingenuamente, a criar a figura fantasiosa de Sérgio Moro como um “herói nacional”, procurar fazer o enfrentamento a Sérgio Moro por conta de sua atuação na Lava Jato é uma estratégia desastrosa que traz ganho zero para o próprio Presidente Bolsonaro.

Além de não trazer ganho eleitoral para o presidente, esta abordagem serve apenas para fortalecer e legitimar o discurso falacioso dos petistas, que insistem na tese de que Lula seria inocente dos crimes que lhe foram imputados, sendo sido “vítima” de uma perseguição política da própria Lava Jato chefiada por Sérgio Moro.

O embate político que realmente importa
Sérgio Moro tem que ser confrontado por aquilo que ele é de fato: um tucano filiado ao partido Podemos, cujo ideário e projeto de país, caso ele tenha um, não se distingue em nada do projeto tucano. O ex-juiz precisa confrontado a partir das pautas conservadoras que fizeram 57 milhões de brasileiros votar em Bolsonaro em 2018.

O ex-juiz tem que ser cobrado sobre seu posicionamento a respeito da redução da maioridade penal, sobre o fim das demarcações de terras indígenas, sobre acesso legal a armas, sobre o aborto, privatizações de empresas estatais, sobre política externa soberana, sobre a necessidade de reforma do poder judiciário, sobre políticas identitárias de viés esquerdista, sobre ensino de ideologia de gênero em escolas, sobre a necessidade de reforma do sistema de saúde.

Sérgio Moro tem que ser cobrado desde já sobre o que ele pensa das atuais leis trabalhistas, das relações com a ditadura comunista chinesa, sobre a necessidade de reindustrialização da economia nacional, sobre liberdade e expressão e de opinião e demais direitos civis, sobre os monopólios em diversos setores inclusive nas comunicações, sobre o papel das agências reguladoras, sobre a legislação ambiental hostil ao nosso desenvolvimento econômico como Nação soberana, sobre a redução do Estado e dos impostos, entre outros.

Como todo progressista ou todo esquerdista de versão mais soft, Sérgio Moro tem que ser enfrentado não por meio de uma retórica pseudo-moralista pequeno-burguesa baseada em factoides. Ele tem que ser confrontado pela reafirmação dos valores da agenda conservadora que foi vitoriosa em 2018 e que precisa ser resgatada e trazida novamente ao centro do debate político nacional no ano que vem.


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