A sucessão paulista somente será bem sucedida para a direita se os conservadores forem ouvidos e incluídos como força política, que já demonstrou seu peso e importância nas últimas eleições presidenciais, no processo de definição das candidaturas ao governo paulista e ao Senado. 


por paulo eneas
O Presidente Bolsonaro confirmou durante sua live desta quinta-feira (13/Jan) que o ministro Tarcísio Gomes de Freitas será seu pré-candidato ao governo do Estado de São Paulo: “Conversei com ele, que topou ser pré-candidato, é um tocador de obras”, afirmou o presidente, já sinalizando o mote eleitoral que será dado à candidatura de Tarcísio Gomes caso ela se confirme.

Tarcísio Gomes de Freitas é considerado o melhor ministro do Governo Bolsonaro por conta de suas inegáveis qualidades de gestor e executor na área de infraestrutura. É um tocador de obras de fato, como bem definiu o presidente, com vasta experiência em gestões passadas.

O ministro foi diretor executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) de 2011 a 2015, ano em que assumiu a função de secretário de Coordenação de Projetos da Secretaria Especial do Programa de Parceria de Investimentos do Governo Federal, voltado à área de privatizações, concessões e desestatizações. Tarcísio Gomes de Freitas nunca exerceu cargo político no sentido estrito.

Sua provável candidatura, caso se confirme, enfrentará enormes desafios que precisam ser considerados desde agora para que a decisão seja tomada de modo fundamentado. O primeiro desafio reside justamente na escolha do partido pelo qual Tarcísio Gomes de Freitas possivelmente irá disputar a eleição: O Partido Liberal (PL), chefiado por Valdemar Costa Neto.

O PL já possui há anos acordo com o governo tucano paulista, por meio do qual controla secretarias com vastos orçamentos. Do ponto de vista da prática fisiológica que caracteriza este partido e as demais siglas do Centrão, interessa muito mais ao Partido Liberal a continuidade dos tucanos à frente do governo paulista.

Desta forma, ainda que a sigla conceda a legenda para Tarcísio Gomes de Freitas disputar o governo estadual, existe o risco potencial de sabotagem de sua campanha por parte do PL por conta dos outros interesses da sigla. Pois é deste modo que o Centrão sempre operou, segundo interesses fisiológicos e não segundo compromissos programáticos.

Este risco de sabotagem somente será afastado se Tarcísio Gomes de Freitas comprometer-se a manter as posições ocupadas atualmente pelo Partido Liberal na máquina pública paulista, compromisso este que seguramente o ministro não irá assumir por conta de sua índole de honestidade no trato da coisa pública.

Além do problema partidário, outro desafio a ser enfrentado pela possível candidatura de Tarcísio Gomes de Freitas diz respeito ao peso dos conservadores no Estado de São Paulo. O Estado não é apenas a locomotiva econômica da Nação, ele é também seu carro-chefe político. Foi em São Paulo que nasceram os movimentos de rua que lotaram a Avenida Paulista em manifestações que resultaram no impeachment de Dilma Rousseff.

Na campanha presidencial de 2018, estando o então candidato Jair Bolsonaro hospitalizado após o atentado sofrido em Juiz de Fora (MG), os conservadores paulistas foram a principal força política semi organizada que, agindo voluntariamente, produziu a façanha de conseguir eleger um candidato a Presidente da República que estava impossibilitado por razões de saúde de estar no corpo a corpo da campanha a maior parte do tempo.

Mais do que o voto, o engajamento dos conservadores paulistas, e obviamente aqueles dos demais estados, foi fator decisivo para a vitória eleitoral da direita nas eleições daquele ano. Portanto, o peso dos conservadores em São Paulo não pode ser subestimado e muito menos ignorado.

Uma eleição se ganha também com o engajamento voluntário, motivado por convicção, dos apoiadores do candidato. Foi assim com Jair Bolsonaro em 2018. E no campo da direita, somente os conservadores são capazes de alavancar este potencial de engajamento e de mobilização para uma campanha vitoriosa.

Ocorre que desde 2020, os conservadores paulistas, os mesmos que formaram a base de apoio militante original da campanha vitoriosa de 2018, têm manifestado preferência pela candidatura do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, ao Governo do Estado.

A percepção presente em algumas lideranças conservadoras com quem temos conversado é que o Presidente Bolsonaro irá afastar do governo, por exigência da lei, o seu melhor ministro técnico, que é elogiado por todos pela sua habilidade de gestor, e que não é um político de formação, para força-lo a disputar uma eleição para a qual o próprio suposto postulante não tem demonstrado interesse.

O presidente faz esta escolha ignorando a expectativa e o animus politicus para o engajamento na campanha da militância conservadora do Estado, e ignorando os riscos descritos acima da opção partidária. A experiência horrível com Celso Russomano nas eleições municipais de 2020, cuja candidatura não alavancou engajamento algum a despeito do endosso do presidente, parece estar sendo ignorada.

A sucessão paulista somente será bem sucedida para a direita se os conservadores forem ouvidos. Não se trata aqui de imposição intransigente ou rejeição prévia de nomes de postulantes, até por que os nomes da direita hoje colocados estão todos à altura de representar a direita na disputa estadual.

Trata-se, isto sim, da necessidade de incluir os conservadores como força política, que já demonstrou seu peso e importância nas últimas eleições presidenciais, no processo de definição das candidaturas ao governo paulista, ao Senado e na definição de uma plataforma de governo que contemple as reais demandas do Estado do ponto de vista da direita e dos conservadores.


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