Chegará o dia em que teremos que provar ao mundo que a grama é verde.
(G.K. Chesterton)


por paulo eneas
O Brasil já chegou ao dia previsto por Gilbert Keith Chesterton em que é necessário explicar e enfatizar que a grama é verde. E que o Sol é amarelo, como complementou de maneira genial do Dr. Roberto Zeballos em entrevista recente. E a cor da grama a ser explicada nesse momento diz respeito à estrutura político-partidária brasileira.

Desde o banimento da direita e dos conservadores da vida pública nacional ainda durante o regime militar, toda a estrutura político-partidária brasileira passou a situar-se no campo da esquerda, incluindo os partidos nominalmente de centro.

A partir daquele período e desde então, o pensamento conservador simplesmente desapareceu do debate político no Brasil, refletindo na esfera da política a hegemonia completa da mentalidade esquerdista-progressista em todos os campos da vida pública.

Restaram apenas, ao final do regime militar e no início do período chamado de redemocratização, agremiações de natureza fisiológica integradas ao establishment político, que passaram a constituir a chamada direita permitida.

E mesmo essa direita permitida, nominalmente de centro, tornou-se permeável e receptível a toda a agenda cultural e ideológica esquerdista, expressa no populismo estatista e estatizante, na adesão às pautas identitárias, racialistas e ambientalistas, além de também trazer consigo a herança das ideologias terceiro-mundista e do antiamericanismo, criadas pela esquerda e incorporadas em grande parte pelo próprio regime militar.

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A eleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República abriu a perspectiva de que finalmente viesse a existir no Brasil um partido político genuinamente conservador e de direita. Uma agremiação que reunisse os melhores cérebros e quadros do pensamento conservador brasileiro e que fosse capaz de romper com as práticas fisiologistas e clientelistas de todos os partidos políticos brasileiros.

Esperava-se a formação de uma agremiação que também fosse capaz de auxiliar o presidente na formulação das estratégias necessárias para implementar o programa de governo de viés conservador e disruptivo aprovado nas urnas. Uma agremiação que já nas últimas eleições municipais assegurasse a formação de uma ampla base de vereadores e prefeitos conservadores, que teria um papel decisivo na sucessão presidencial deste ano.

Nada disso ocorreu. O presidente foi convencido a sair da legenda pela qual foi eleito, o PSL, e apostar na formação de uma nova agremiação, o Aliança pelo Brasil, cujos vícios de origem desde sua criação inicial levaram à sua inviabilização tanto para as últimas eleições municipais quanto para as eleições gerais deste ano.

Este conjunto de erros levou o presidente a filiar-se a um partido do establishment político, o Partido Liberal, que jamais mostrou intenção alguma de passar por alguma reformulação para tornar-se uma agremiação de direita e muito menos conservadora.

A natureza e as implicações da aliança do presidente com o Centrão e os riscos colocados para sua reeleição foram analisados por nós em diversos artigos, alguns deles linkados mais abaixo.

O fato é que chegamos no ano da sucessão presidencial sem que a direita conservadora tenha um partido político constituído, restando assim aos conservadores a tentativa e o esforço de ocupar espaços em legendas já existentes, ainda que estas legendas contenham muitos dos vícios e deformações progressistas presentes em toda a estrutura político-partidária brasileira.

Diante deste quadro, não faz sentido algum condenar os conservadores que estão fazendo este esforço de desbravar um terreno que na história recente foi todo ele contaminado pela mentalidade esquerdista. Condenar as iniciativas e esforços destes conservadores, como aquela que vem sendo feita há algum tempo no PTB e a iniciativa recém anunciada no Brasil35, é no mínimo má fé ou dificuldade de entender que a grama é verde.

O setor da direita que está condenando os conservadores que atualmente investem na reformulação à direita de agremiações já existentes, apontando os vícios de mentalidade progressista presentes no passado destes partidos, é o mesmo setor que já se conformou em aderir a legendas do Centrão que apresentam estes mesmos vícios, mas que não têm intenção alguma de fazer uma reformulação interna para superá-los, em uma postura própria de quem nega que a grama é verde.

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