por paulo eneas
Afirmar que a Guerra da Ucrânia é fundamentalmente um conflito entre blocos globalistas, o russo de um lado e o ocidental de outro, é reduzir numa perspectiva maximalista o fato concreto que constitui esta guerra: um país ter sido atacado militarmente por outro por conta das ambições expansionistas do agressor, ambições estas que sempre existiram ao longo da História, como mostrou a experiência da antiga União Soviética.

Esta afirmação pode induzir ao erro de perder-se de vista o dado imediato da realidade, que é a de um país ser atacado e seus civis serem mortos por terem ousado exercer sua soberania para escolher livremente estar alinhado ao Ocidente. Ao contrário de afirmações que temos visto nas redes sociais, a Ucrânia não está “lutando pelos globalistas”, uma afirmação que carece de qualquer vínculo com a realidade.

Até por que, não existe país que “lute pelo globalismo”. Ao contrário, é o globalismo ocidental e também o globalismo eurasiano russo, bem como o chinês e islâmico, que atuam para impor-se às nações, inclusive solapando suas soberanias. É preciso enfatizar o fato óbvio que a Ucrânia está lutando pelo seu direito de existir como nação livre soberana e fazer suas escolhas.

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O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky foi eleito em 2018 como um outsider da política (afinal, ele era apenas um comediante), como ocorreu com o Presidente Bolsonaro no mesmo ano, com uma plataforma de aproximação com Ocidente que foi aprovada por cerca de setenta por cento dos eleitores. Não houve da parte de observadores internacionais qualquer questionamento quanto à lisura do pleito.

A invasão russa à Ucrânia é uma punição do ditador Vladimir Putin a todo o povo ucraniano pelas escolhas que este povo fez e que desagradaram o mandatário russo, que decidiu que os ucranianos não podem ser donos de seu destino. Não há, portanto, qualquer argumento moralmente aceitável que justifique o endosso que parte da direita ocidental, contaminada pela ideologia eurasiana de Alexander Dugin, tem dado a esta agressão.

Analisar a materialidade da guerra e tentar reduzi-la a um esquema de embate entre blocos de poder é perder de vista o fato material e concreto de houve uma agressão a uma nação soberana, e que esta agressão não pode em hipótese alguma ser legitimada por meio de considerações feitas unicamente sob a perspectiva dos interesses desses blocos, e não sob a perspectiva das pessoas reais de carne e osso, e uma nação soberana, que vivem agora este conflito e procuram sobreviver.

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