por paulo eneas
A  Rússia nunca aceitou a existência da Ucrânia como nação soberana e independente. Antes mesmo do surgimento de OTAN ou da União Europeia, os oligarcas russos sempre viram o território ucraniano como parte da Rússia, até mesmo por razões históricas: o povo que chamamos hoje de russos originou-se séculos atrás da imigração de nórdicos em direção ao sudeste europeu, a oeste dos Montes Urais.

Esses povos assentaram-se no que é hoje a cidade ucraniana de Kiev, razão pela qual eram chamados de Russ de Kiev. O nome “russ” está associado à origens nórdicas destas tribos, e significa remadores. Durante a expansão dos otomanos (muçulmanos turcos), esses povos migraram em grande parte em direção às estepes (planícies) do oeste da Ásia, fundando a cidade de Moscou. Desta forma, estabeleceu-se uma ligação histórica dos russos com Kiev.

Após a chegada dos comunistas ao poder na Rússia na Revolução de Outubro de 1917, a Ucrânia foi mais uma vez subjugada: os soviéticos tomaram o poder no país provocando o exílio do governo ucraniano de então em 1921, dando início a 71 anos de governo da Ucrânia no exílio, que somente chegou ao fim em 1992, com o fim da União Soviética.

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Durante estes 71 anos, a Ucrânia teve seis presidentes no exílio, enquanto o país vivia sob o domínio soviético que, entre outros horrores, impôs o grande genocídio ao povo ucraniano na década de trinta, conhecido como Holodomor, quando de sete a nove milhões de ucranianos (autores divergem sobre o número exato) morreram de fome após Stalin ter ordenado o confisco de toda a produção agrícola daquele país.

Pesquisadores afirmam que o Holodomor, que em ucraniano significa literalmente morrer de fome, foi uma punição imposta por Joseph Stalin à Ucrânia por não aceitar o domínio soviético. O país permaneceu sob domínio russo durante a Segunda Guerra e após, somente vindo a conquistar sua independência com o fim do regime de ditadura genocida da extinta União Soviética em 1991.

O sexto e último presidente ucraniano no exílio foi Mykola Plaviuk, que renunciou formalmente ao cargo em 1991 e transferiu o poder para o presidente da Ucrânia independente naquele mesmo ano.

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Fica evidente que a invasão russa à Ucrânia este ano remete em grande parte questões históricas e não pode ser explicada, e muito menos justificada, somente em termos de disputa entre blocos de poder globalistas, como afirmam certas análises superficiais que têm sido inclusive endossadas por parte da direita ocidental.

Por sua vez, a experiência histórica dos ucranianos com o expansionismo e as constantes agressões russas explica em grande parte a resistência quase heroica que os ucranianos estão mostrando neste momento contra a mais uma invasão russa. Ou seja, os ucranianos não estão “lutando pelos globalistas”, mas sim por que nunca esqueceram o Holodomor. Fonte: Government-in-exile of the Ukrainian National Republic – Encyclopedia of Ukraine.

Documentário sobre o Holodomor
O vídeo abaixo, narrado em inglês, é um dos mais completos documentários, com filmagens de época, sobre o Holodomor. Advertimos o leitor quanto a imagens fortes.

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