por paulo eneas
A invasão da Ucrânia pela Rússia levou uma parcela da direita brasileira a posicionar-se imediatamente em favor de um dos blocos geopolíticos cujos interesses estão presentes nesta guerra, agindo como se fosse mais importante escolher os interesses de um destes blocos do que usar da baliza moral necessária para distinguir entre agressor e agredido.

Somente depois de escolher um lado, que nesse caso significa alinhar-se aos interesses de um dos blocos geopolíticos envolvidos, ainda que nenhum desses blocos espelhe os interesses reais do povo ucraniano, é que procurou-se encontrar as justificativas para tal escolha, que no mais das vezes são apresentadas sempre por meio de clichês retóricos que nada dizem sobre a real natureza do conflito.

Não é exagero afirmar que uma parcela da direita brasileira tornou-se putinista, pois entende que o ditador Vladimir Putin tem razões e motivos para fazer a invasão, por que os globalistas estariam tomando conta da Ucrânia.

O país agredido pelos russos é descrita com naturalidade por parcela da direita nacional como sendo o “quintal” da Rússia, esquecendo-se por completo que a Ucrânia não é quintal de uma potência imperialista, mas sim um país com uma história, uma tradição, uma língua, uma cultura e um povo, em grande parte católico.

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Na visão de uma parcela da direita brasileira, Vladimir Putin está correto no seu ato de guerra, pois ele estaria desta forma “combatendo os globalistas”. Além disto, o fato de um dos expoentes do globalismo como George Soros estar contra Vladimir Putin e defendendo a Ucrânia, seria a prova cabal de que é necessário estar ao lado do agressor Vladimir Putin.

O problema desta forma de pensar, além de ser repreensível por trazer um relativismo moral que ignora a distinção óbvia que existe entre um agressor e um agredido, é ignorar o que é de fato o globalismo ocidental e suas vertentes. As pessoas tendem a enxergar no projeto globalista ocidental um bloco monolítico e mono-ideológico, quando na verdade ele não o é.

A bem da verdade, a direita brasileira, por conta do desprezo que ela sempre nutriu pelo estudo e pelo conhecimento, a rigor mal sabe o que é o globalismo, que no mais das vezes tornou-se apenas uma palavra-gatilho e um dog whistle para despertar paixões políticas instantâneas facilmente manipuláveis.

É preciso entender que o globalismo ocidental possui vertentes distintas que muitas vezes conflitam entre si. Temos a vertente do estamento militar ligado à indústria bélica, especialmente a norte-americana. Temos a poderosa vertente estritamente financeira, centrada em London City e sua imensa capacidade de controlar os fluxos financeiros em todo o mundo.

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Temos ainda a vertente mais ideológica ligada às pautas identitárias, feministas, comportamentais e racistas, além da vertente globalista mais intrinsicamente associada ao comunismo chinês e seus projetos avançados de controle social.

Outra vertente importante dos globalistas ocidentais é a vertente ambientalista, que nada mais é do que um poderoso lobby econômico dos interesses de grandes corporações do setor de energia e de agricultura, bem como do setor agrícola europeu e norte-americano, como mostra um documento publicado em 2010 sob o título Farms Here, Forests There – Tropical Deforestation and U.S. Competitiveness in Agriculture and Timber, que pode ser lido na íntegra neste link aqui.

Numa tradução livre, este documento poderia ser chamado de Agricultura Para os Países Ricos, Mato Para os Países Pobres. Produzido por uma ONG ambientalista norte-americana, o documento afirma claramente que é necessário impor regras ambientais rígidas aos países tropicais para preservar a competitividade da agricultura norte-americana. Esse documento e esse tema merecem por si só um artigo à parte.

É necessário ter claro que não existe uma entidade única ou figura pública única que represente todas estas vertentes globalistas na totalidade de seus interesses. As Nações Unidas e suas agências funcionam muito mais como um guarda-chuva que abriga estas distintas vertentes, ora privilegiando uma, ora privilegiando outra.

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Quem é George Soros e o que ele representa

George Soros não é o agente que representa e atua em favor dos interesses de todas estas vertentes globalistas. Tomando-se em conta suas atuações públicas, podemos afirmar que George Soros está associada à vertente que podemos chamar de ideológica-comportamental que, conforme afirmamos acima, diz respeito às pautas identitárias, feministas, comportamentais e racistas.

Esta vertente, que no nosso entender é de extração fabiana, empunha bandeiras e pautas que somente podem ser implementadas no ambiente das democracias liberais, que George Soros chama de sociedade abertas, ou open societies, tomando emprestado um conceito desenvolvido por Karl Popper. Não sem motivo sua entidade holding chama-se Open Society Foundations. 

O que George Soros defende? Sua fundação apoia e financia pautas e programas talhados para serem aplicados nas democracias liberais, que são permeáveis a esta corrosão interna dos fundamentos da Civilização Ocidental, por meio da atuação na esfera cultural e de indução comportamental.

Assim, a Open Society financia o abortismo, o feminismo, ideologia de gênero, movimentos identitários racistas como Black Lives Matter, diversidade como instrumento de desagregação do tecido social via estímulo a conflitos étnicos, políticas de fronteiras abertas (open borders) para imigração generalizada.

Também faz parte do programa da Open Society a disseminação ampla de conteúdo sexual e de indução comportamental na educação infantil, a hostilidade ferrenha ao cristianismo em nome de uma suposta religião universal, o uso da retórica ambientalismo para fins de propaganda, entre outras.

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Como sabemos, estas pautas são todas pautas revolucionárias, porém distintas das pautas igualmente revolucionárias e do projeto de poder de Vladimir Putin, que são calcados em outras premissas, a saber:

Expansionismo territorial russo, etnocentrismo eslavo que rejeita qualquer noção de “diversidade”, concentração do poder político e econômico no establishment do Kremlin, rechaço a qualquer noção de democracia nos moldes liberais do Ocidente, ambientalismo somente para os inimigos. A agenda revolucionária de Vladimir Putin insere-se no escopo ideológico mais amplo que é o eurasianismo, desenvolvido por Alexander Dugin.

Observe-se que a despeito de um ou outro ponto em comum, as agendas revolucionárias de George Soros e de Alexander Dugin são distintas e até mesmo se chocam, pois a agenda da Open Society somente pode ser implementada nos ambientes das democracias liberais.

Por sua vez, o eurasianismo de Dugin despreza e condena e ataca as democracias liberais e tudo que nelas existe, o que inclui o espaço que estas democracias propiciam para programas revolucionários e identitários e racistas e de diversidade de George Soros.

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George Soros está defendendo a Ucrânia não por conta de suas inexistentes preocupações com o povo ucraniano ou com a soberania daquele país. Até por que, não faz parte do programa da Open Society defender as soberanias nacionais, pelo contrário, a entidade atua para solapar estas soberanias. Mas não por meio de guerras, mas sim via corrosão social e cultural interna.

George Soros defende a Ucrânia contra a Rússia para  preservar o ambiente formal de democracia liberal para que ele possa implementar lá a sua agenda, coisa que seria impossível sob o domínio russo. Logo, as razões de George Soros para defender a Ucrânia são muito distintas das razões do povo ucraniano para defender o seu país.

A partir deste entendimento, acreditamos ter ficado claro que não faz sentido algum, nem do ponto de vista moral nem do ponto de vista lógica, “ficar ao lado” do ditador Vladimir Putin em sua agressão simplesmente por ser George Soros contrário a esta agressão, pelas razões que interessam somente a ele, George Soros, e não ao povo ucraniano.

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