Em que pesem as questões dos interesses geopolíticos globalistas presentes no atual conflito e as alegações de suposto expansionismo da OTAN, o fato concreto e de base histórica e cultural é que a guerra de Vladimir Putin é para a Ucrânia deixar de existir, pois sua existência como nação com um povo livre e soberano e identidade própria jamais foi admitida pela Rússia.


por paulo eneas
Vladimir Putin e o establishment oligarca soviético-saudosista russo nunca conceberam a existência da Ucrânia, que os russos chamam de Pequena Rússia, como nação soberana independente. Esta recusa em admitir que os ucranianos existem enquanto povo vem desde os tempos anteriores aos tzares.

Menos ainda ainda consegue-se admitir a existência do povo ucraniano com uma identidade nacional, uma cultura, uma história e uma língua próprias. Ao longo da história, russos tentaram todas as formas de aniquilar os ucranianos como uma entidade nacional e cultural distinta da identidade nacional e cultural russa.

Em 1860 a Ucrânia estava sob domínio da Rússia, que proibiu a publicação e circulação de livros e qualquer produto de cultura no idioma ucraniano, cujo ensino fora abolido. Em decorrência, no início do Sec XX apenas 13% dos ucranianos eram alfabetizados, pois o ensino da língua pátria era proibido no próprio país pela Rússia.

Trinta anos depois, os ucranianos experimentaram a tragédia do Holodomor, o genocídio dos ucranianos praticado pelo ditador da então União Soviética, Joseph Stalin, que ordenou o confisco de grãos e da produção agrícola ucraniana. Milhões de ucranianos morreram de fome entre os anos de 1930 e 1934.

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Durante todo o período de existência da antiga União Soviética, a Ucrânia viveu sob o jogo do regime comunista imposto a partir de Moscou. Mas ao mesmo tempo oferecia uma resistência ainda que simbólica por meio de seus governo nacional no exílio, que existiu durante 71 anos, conforme mostramos em artigo em separado linkado mais abaixo.

O país somente retomou sua independência em 1991, quando passou a existir novamente como nação soberana como fronteiras internacionalmente reconhecidas. Mas desde 2014, sob a mão forte do ditador Vladimir Putin, a Rússia tenta outra vez retomar a Ucrânia para si, repetindo assim o mesmo padrão observado em séculos da história ucraniana.

Inicialmente, Vladimir Putin invadiu, tomou e anexou a península ucraniana da Crimeia, diante da total inação e condescendência dos Estados Unidos, governados por Barack Obama, e do restante dos fracos e dependentes líderes europeus, muito mais preocupados com imaginárias ameaças decorrentes de alterações climáticas do que com problemas reais do mundo real, como a liberdade e a democracia.

No comício de “celebração” dos vinte anos de tomada e anexação da Crimeia pelos russos, realizado na semana passada, o ditador Vladimir Putin usou os mesmos argumentos usados quase um século atrás por Adolf Hitler para “justificar” a anexação dos Sudetos, região do território da então Tchecoslováquia:

A presença de uma população alemão (russa) na região que estaria sendo reprimida e perseguida pelo tchecos (ucranianos) e que precisaria ser libertada pelos exército de libertação da Alemanha Nazista (Rússia Putinista). Ficam patentes as similaridades das justificativas retóricas de Adolf Hitler e de Vladimir Putin para seus respectivos projetos expansionistas.

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Hitler pretendia “desjudaizar” a Europa e ao mesmo tempo assegurar o “espaço vital” para a raça ariana pura. Vladimir Putin afirma pretender “desnazificar” a Ucrânia para cumprir a missão histórica da Pátria Mãe Russa, sede da Terceira Roma (Moscou) de extração Ortodoxa estatal, de assegurar a supremacia eslava no leste europeu, ou quiçá além.

A diferença importante dentre estes dois ditadores está na materialidade ou não das vítimas de suas respectivas psicoses revolucionárias: enquanto os judeus, objeto de desjudaização de Adolf Hitler, existiam como pessoas reais de carne e osso que foram exterminadas, os “nazistas” que supostamente seriam predominantes em toda a Ucrânia existem apenas na eficiente máquina de propaganda e desinformação russa.

Não de deve ignorar os interesses geopolíticos dos blocos globalistas que estão em disputa nesta guerra, interesses estes que existem de fato, ou as alegações a respeito da OTAN e de uma imaginária ameaça ocidental à segurança russa.

Mas o fato concreto do mundo real e histórico, e não aquele da cabeça do analista de geopolítica, é que esta guerra explica-se fundamentalmente por razões históricas que se mesclam com a cultura: a guerra de Vladimir Putin é para a Ucrânia deixar de existir, pois sua existência como nação de um povo livre e soberano jamais foi admitida pela Rússia.

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