por paulo eneas
Um leitor do Crítica Nacional questionou-nos por email sobre o porquê do silêncio e da repercussão quase nula por parte da direita brasileira diante do resultado do referendum realizado na Hungria no último domingo (03/abr) sobre a proteção da infância contra ideologia de gênero.

Conforme mostramos em detalhe na reportagem sobre a eleição, o referendum consistiu de perguntas diretas ao eleitor húngaro sobre a exposição de crianças a temas de ideologia de gênero e “mudança de sexo”.

Nas quatro perguntas formuladas, mais de 90% dos eleitores manifestaram-se contra a exibição de tais conteúdos a crianças e adolescentes, especialmente em sala de aula. O resultado do referendum em si é tão ou mesmo mais importante do que a vitória política esmagadora obtida pela direita na votação para o parlamento húngaro.

Este nosso leitor estranhou o fato de um tema desta enorme relevância para a guerra cultural contra o movimento revolucionário ter sido basicamente ignorado pelas principais lideranças da direita brasileira.

Demos uma resposta ao leitor explicando as razões, em nosso entender, desta indiferença. Reproduzimos a resposta abaixo, com pequenas adaptações jornalísticas e preservando o nome do leitor:

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Caro José Luiz [nome fictício]
Obrigado por levantar esta questão, que merece até mesmo uma pauta. Quem deveria repercutir o resultado do referendum húngaro aqui no Brasil é a direita, pois trata-se de um tema que sempre foi caro à direita nacional. Na verdade, foi, pois parece não ser mais.

Em período recente nossa direita, com poucas exceções, decidiu deixar de lado toda e qualquer pauta ideológica, incluindo a pauta de combate à ideologia de gênero e às políticas identitárias.

Isto aconteceu em parte por que o Governo Bolsonaro, por meio do Ministério dos Direitos Humanos, abraça e incorpora quase que integralmente as políticas identitárias que a esquerda sempre defendeu. Várias iniciativas do ministério ancoradas no feminismo e em políticas de identidade de gênero foram transformadas em lei, com apoio de toda a base bolsonarista no Congresso Nacional.

Esta atuação do Ministério dos Direitos Humanos chefiado até então pela Ministra Damares Alves colocou em prática, de maneira inesperada, um slogan que a ex-ministra apresentou no CPAC de 2019 em São Paulo: “Fazer melhor”. Nesse caso, ficou claro que a intenção da pasta foi “fazer melhor” aquilo que a esquerda se propunha a fazer em termos de políticas identitárias.

Em nenhum outro governo estas pautas avançaram tanto como no Governo Bolsonaro. Um exemplo deste avanço da agenda esquerdista é a lei que define a chamada “violência política” contra a mulher, cuja tramitação contou com o endosso do Ministério dos Direitos Humanos.

Esta lei poderá, por meio do ativismo judicial, ser usada contra os conservadores que venham a questionar e combater, na esfera do embate político, as posições ideológicas esquerdistas vocalizadas por uma mulher, e com isso serem criminalizados. Se esta lei estivesse em vigor há alguns anos, o então deputado Jair Bolsonaro poderia ser penalizado pelos seus embates com a deputada esquerdista Maria do Rosário.

O fato é que vivemos um dos piores momentos da direita nacional após três anos de governo. Pois esta direita não apenas não se organizou em uma estrutura político-partidária eficiente, como se despiu da defesa de qualquer pauta ideológica, seguindo unicamente uma dinâmica eleitoral centrista na carona dos partidos do Centrão.

Esta desidratação ideológica por que passa a direita brasileira explica sua omissão e silêncio ante o resultado do referendum na Hungria, bem como sua omissão e silêncio que têm sido observados diante de vários temos de guerra política e ideológica no cenário nacional em anos recentes.

Leia também:
Hungria: Vitória Esmagadora da Direita & Respaldo em Referendum de Lei de Proteção à Infância Contra Agenda Identitária

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