por paulo eneas
O debate político no campo da direita brasileira, especialmente entre os apoiadores do Presidente Bolsonaro, tem sido comprometido principalmente nos últimos dois anos devido a certos ruídos que contaminam a discussão pública. Estes ruídos surgem sob a forma de clichês, falsas premissas, platitudes ou simplesmente mentiras rasteiras.

Estes ruídos são injetados no debate principalmente por influenciadores digitais e youtubers cooptados pelo establishment político que assenhorou-se do governo federal e apossou-se de seus rumos, justamente com a finalidade de impedir qualquer questionamento ou discussão aberta sobre os rumos do governo.

Nenhum deste clichês ou falsas premissas encontra amparo na ciência política ou mesmo na História. Mas como boa parte da direita brasileira desconhece ambos, principalmente por que parcela expressiva desta direita desdenha e despreza o conhecimento e hostiliza seus poucos intelectuais, ao contrário do que faz a esquerda, estas tolices ganham eco e passam a balizar a discussão.

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Um deste ruídos verbais, tomado como se fosse uma verdade inconteste, diz que a esquerda sempre foi unida e que qualquer debate político na direita representaria sua divisão, o que em tese fortaleceria a esquerda e a levaria a retomar a Presidência da República nas eleições deste ano.

Quem afirma que a esquerda sempre foi unidade não conhece um cêntimo da história do movimento revolucionário. A falsidade desta afirmação é tão gritante que pode ser contestada até mesmo por uma piada que circula dentro da esquerda desde os tempos do regime militar. A piada que diz que a “esquerda só se une na prisão”.

A esquerda nunca foi unida na sua atuação política. A única e importante unidade que existe na esquerda é a unidade de seus propósitos e fins. Nem mesmo a unidade ideológica existe, haja vista as distinções óbvias entre a esquerda identitária e os comunistas tradicionais.

Quem primeiro “dividiu a esquerda” nos tempos modernos foi ninguém menos que Lenin, quando propôs aos revolucionários, ainda antes da Revolução de Outubro de 1917 na Rússia, que se dividissem para se apresentar ao público como correntes políticas distintas: os mencheviques e os bolcheviques, inaugurando assim a estratégia das tesouras, que os brasileiros conhecem muito bem na sua versão tucano-petista.

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Esta divisão da esquerda naquele período foi um dos fatores que possibilitaram ao comunistas sua chegada ao poder na Rússia Tzarista de 1917 e implantar seu regime genocida que durou cerca de setenta anos. O objetivo final, a chegada dos comunistas ao poder, foi alcançado por meio da tática conveniente de “divisão da esquerda”.

Durante o regime militar brasileiro, a esquerda dividiu-se em segmentos com distintas missões: uma parcela foi para a luta armada, outra passou a ocupar-se da guerra cultural tomando espaços no meio acadêmico e da imprensa, com a conivência e apoio do militares, e uma outra infiltrou-se no antigo MDB e criou as condições para retomar ao final do regime sua atuação política institucional.

Mesmo a esquerda da luta armada nunca foi unida: a guerrilha era feita por organizações  (no plural) de esquerda, cada uma representando uma corrente ou partido político clandestino que escolheu esta via de atuação revolucionária clássica.

Ao final do regime militar, a esquerda voltou triunfante ao poder, mas também dividida. Nas eleições gerais de 1982, o PT disputou o Governo de São Paulo com Lula, enquanto outra ala da esquerda, que já controlava o antigo MDB, transformado em PMDB, disputou o governo com Franco Montoro, que foi o vencedor.

Esta ala do então PMDB posteriormente deu origem aos tucanos em 1988, que em seguida passou exercer a estratégia das tesouras com os petistas durante as quase três décadas seguintes. A divisão da esquerda garantiu a ela sua conquista do poder.

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E a direita? A direita nacional sequer foi capaz de formar um partido político próprio ao longo destes anos e quando a oportunidade surgiu, com a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018, não teve competência e capacidade para executar a tarefa e oculta essa incompetência plantando a narrativa de que o Aliança Pelo Brasil não foi formado por “culpa do TSE”.

Esta mesma ala da direita que fracassou na missão que lhe foi dada de formar um partido, hoje demoniza e tenta desqualificar o debate político proposto por outros segmentos da direita, principalmente os conservadores, rotulando a iniciativa deste debate e discussão, principalmente sobre os rumos do governo, como sendo uma “divisão da direita”.

Esta acusação leviana vem acompanhada da mentira de que tal suposta divisão não ocorre na esquerda, contrariando assim a verdade histórica mostrada em linhas gerais mais acima. O argumento falacioso da suposta divisão da direita é usado de maneira desonesta para impedir o debate político e também para impedir o surgimento de novas lideranças políticas na direita.

Nada pode ser mais desprezível e até mesmo autoritário e cínico do que tentar bloquear e impedir o debate político sob o argumento cínico de que este debate representaria  necessariamente um “ataque” a um governante ou que causaria a divisão da direita diante da imaginária e inexistente unidade política da esquerda.

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Um movimento político somente se fortalece por meio de debates intensos e calorosos. Este debate permanente forma a cultura política que irá servir de “cola” ou elemento agregador deste movimento político, que somente irá se consolidar desta forma.

O professor Olavo de Carvalho lembrava que o comunismo não é uma ideologia, mas uma cultura política para um projeto de poder, e por isso ele persiste como tal há mais de dois séculos. E obtém vitórias!

A direita somente irá se consolidar como força política quando for capaz de formar sua cultura política própria, por meio de debates e discussões em que nenhum dos lados debatedores sejam vistos como “traidores”.

Ao contrário, enquanto na direita prevalecer o comportamento infantil e obscurantista que demoniza o debate político e rotula seus contendores como sendo traidores, a direita continuará sendo apenas uma sombra pálida de um projeto de poder político capaz de se sustentar.

Por fim, é preciso desmascarar a mentira repetida por influenciadores cooptados que insistem na narrativa falsa de que a esquerda estaria supostamente aplaudindo o ainda pobre e frágil debate que se tentar fazer na direita por que isso irá resultar na sua divisão e enfraquecimento.

Nada pode ser mais falso do que tal afirmação saída do microfone de influenciadores ignorantes que pululam a direita brasileira. O que a esquerda aplaude hoje é justamente a incapacidade e a incompetência da direita em conduzir discussões internas com maturidades, o que é uma prova e um retrato nu e cru da fragilidade desta direita.

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