por paulo eneas
A direita sempre desconfiou e muito das pesquisas eleitorais, e tem razões de sobra para isso. O histórico de erros dos institutos de pesquisa é enorme, razão pela qual disseminou-se a percepção de que suas pesquisas seriam deliberadamente manipuladas para supostamente legitimar um resultado eleitoral, favorável sempre à esquerda, que não correspondesse à real vontade da maioria dos eleitores.

Um dos exemplos mais gritantes de erros grotescos dos institutos de pesquisa envolveu o Instituto Datafolha nas últimas eleições presidenciais, cujas pesquisas apontavam a derrota do então candidato Jair Bolsonaro em todos os cenários do segundo turno. Jair Bolsonaro venceu o pleito e em momento algum o Instituto Datafolha veio a público explicar como e porque errou.

O mesmo Datafolha errou de modo grotesco nas projeções de vitória dos candidatos ao Senado Federal no Estado de São Paulo nas eleições de 2018. As pesquisas apontavam o petista Eduardo Suplicy como o primeiro colocado. Ao final do pleito, o petista ficou entre os menos votados e o candidato bolsonarista Major Olímpio foi eleito com a maior votação no Estado.

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No entanto, este histórico de erros dos institutos de pesquisa têm levado os apoiadores do governo a um comportamento ambíguo diante deles: pesquisas que que mostram resultados favoráveis ao governo em geral recebem crédito; pesquisas que apontam resultados desfavoráveis são consideradas manipuladas. Óbvio que este maniqueísmo não faz sentido algum.

Vimos este maniqueísmo no comportamento do Ministro das Telecomunicações, Fábio Faria, que publicou esta semana em sua rede social uma enquete pretensamente satírica sobre a credibilidade do Datafolha, cuja última pesquisa divulgada mostra um suposto favoritismo do petista Lula na disputa presidencial. Mas o mesmo Fábio Faria deu crédito a uma pesquisa deste mesmo Datafolha de agosto de 2020, pesquisa esta que indicava uma taxa de aprovação elevada do governo federal.

É importante entender que as pesquisas trazem informações e dados que permitem a um profissional habilitado ler e interpretar estes dados de maneira objetiva. Mas também permite que a partir destes dados sejam feitas inferências estatísticas enviesadas que beneficiam ou prejudicam um ou outro candidato.

O que normalmente é apresentado para o público mais amplo, que não está familiarizado com técnicas de inferência estatística, é o resultado de uma inferência que pode ser enviesada, feita a partir dos dados coletados, beneficiando ou prejudicando um ou outro candidato. É nisto que consiste o que normalmente é chamado de manipulação.

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As inferências enviesadas são conhecidas entre profissionais da área, e podem ocorrer por erro e imperícia ou por má fé. Existe até mesmo um jargão desta área técnica que afirma: give me five point and I fit an elephant, que pode ser traduzido livremente como sendo “dê-me um conjunto de dados e eu tiro a conclusão que você quiser”.

Portanto, o que normalmente é chamado de manipulação de pesquisas pode consistir nesta prática de “encaixar o elefante na curva”, ou seja, as inferências enviesadas a partir dos dados coletados e que são apresentadas ao público. No entanto, os dados em si costumam trazer informações de valor que podem ser analisadas e interpretadas de modo independente por pessoas familiarizadas com a leitura e interpretação de dados de amostragem estatística.

Neste sentido, a pergunta a ser feita ao nosso ver não é se podemos ou não confiar nas pesquisas. Trata-se de saber se as inferências foram feitas por métodos corretos, e não de forma enviesada, e também de saber que tipo de informação relevante pode ser extraída de modo independente dos dados coletados que foram usados para determinada pesquisa.

Por fim, independentemente destas questões técnicas e diante do inegável impacto das pesquisas eleitorais junto à opinião pública, entendemos ser necessário adotar uma legislação que estabeleça um ranking ou score de acertos dos institutos de pesquisa.

Este ranking seria então usado como métrica de confiabilidade a ser obrigatoriamente apresentado ao público junto com cada pesquisa, dando assim a este público um instrumento objetivo para avaliar o quanto cada instituto é ou não confiável. Iremos detalhar esta proposta em artigo na próxima semana.

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