por paulo eneas
Como medir o potencial de voto e, portanto, as possibilidades de vitória, de um candidato em uma disputa eleitoral? Esta pergunta foi dirigida ao editor do Crítica Nacional em sua rede social e, pela relevância do tema, julgamos apropriado fazer uma abordagem mais completa e mais elaborada do assunto.

Dentre os vários fatores que podem definir o resultado de um pleito eleitoral, acreditamos que um dos mais importantes é a capacidade, ou não, de um determinado candidato identificar e vocalizar os reais problemas vividos pela população, determinar suas causas e apontar as soluções que pretende adotar, oferecendo assim uma perspectiva e um norte para o eleitor comum, conquistando sua confiança.

Identificar os problemas e mostrar-se sensibilizado com eles constitui-se em um processo de criação de empatia entre o eleitor e o candidato. Essa empatia é pré-requisito para que o eleitor estabeleça uma confiança no candidato e deste modo decida-se por votar nele.

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Apontar os responsáveis e culpados pelos problemas tem importância na esfera do embate político com adversários e inimigos, mas não constitui em si um discurso satisfatório do ponto de vista do cidadão comum.

Mais do que a explicação (ainda que correta e honesta) das causas dos problemas, o cidadão comum deseja ver as soluções propostas para os problemas que o afetam, especialmente na economia (problemas relacionados a emprego, renda, poder de compra e inflação) e nos serviços públicos essenciais, como segurança e saúde.

A vitória de Jair Bolsonaro em 2018 deveu-se exatamente a esta combinação de fatores: o então candidato criou empatia com o eleitorado ao vocalizar e identificar-se com os principais problemas que afligiam os brasileiros, soube apontar corretamente as causas e os culpados: a esquerda petista, o toma-lá-dá-cá no Congresso Nacional, as alianças espúrias com o Centrão, a corrupção generalizada.

O então candidato Jair Bolsonaro soube apresentar as soluções que adotaria: combate intransigente à corrupção, fim do loteamento de cargos na máquina pública, privatizações, redução de impostos, menos assistencialismo estatal, combate à instrumentalização ideológica em sala de aula, defesa da plataforma do Escola Sem Partido, endurecimento das leis penais para o combate efetivo à criminalidade, defesa da Lava Jato.

Esse conjunto de compromissos e a empatia criada com o público mais amplo em relação aos seus problemas, juntamente com o viés ideológico da campanha que serviu para unificar o segmento conservador e de direita mais esclarecido, gerou a confiança necessária na maioria do eleitorado e sedimentou o caminho da vitória.

Portanto, diante da pergunta: “como medir o potencial de voto de um candidato?”, em nosso entender a melhor resposta é a bem-sucedida campanha de 2018.

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As manifestações de rua são decisivas ou não?
Manifestações de rua, comícios, carreatas e outros eventos públicos fazem parte de qualquer campanha. Resta saber o que estes eventos públicos medem. Eles refletem o potencial de voto de um candidato? Em nosso entender, a resposta a esta pergunta é categórica:

Manifestações massivas de rua não medem o potencial de voto de um candidato. Elas medem e indicam a capacidade que tem este candidato de mobilizar seus eleitores e apoiadores.

Um candidato pode vencer um pleito eleitoral sem precisar mobilizar seus eleitores e apoiadores em grande manifestações de rua. Exemplo disto vemos no Estado de São Paulo: os tucanos governam o Estado há mais de vinte anos, vencendo todos os pleitos. Nunca realizaram manifestações massivas de seus militantes e apoiadores. Aliás, coisa rara de se ver é algum militante tucano.

O que decide uma eleição é a maioria silenciosa de cidadãos comuns que não são militantes ne ativistas políticos e nem se propõem a sair de casa para participar de manifestações. É bem verdade que tais manifestações têm peso e impacto na opinião pública, geram conteúdo para analistas políticos e para a mídia, mas elas não são termômetro para o humor do conjunto do eleitorado.

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Um exercício hipotético de um cenário eleitoral
Façamos um exercício hipotético: num universo de 100 milhões de eleitores, vamos supor que constatou-se, por algum meio auferível e confiável, que um Candidato A tenha 40% da preferência do eleitorado, portanto, 40 milhões de pessoas decidiram votar nele.

Imaginemos também que constatou-se que apenas 20% deste eleitorado tenha preferência por um Candidato B. Portanto, um total de 20 milhões de eleitores irão votar no Candidato B.

Consideremos ainda que o Candidato A, apesar da ampla intenção de voto, tenha baixo poder de mobilização de seu eleitorado (como ocorre com os tucanos em São Paulo). Digamos que tal candidato consiga mobilizar apenas 1% destes eleitores, de modo que um comício seu reunirá cerca de 400 mil pessoas.

Por outro lado, o Candidato B, por conta de suas características pessoais, o apelo ideológico de seu discurso, o vigor de sua retórica e outros fatores, consiga mobilizar uma parcela razoável de seus eleitores. Vamos supor que ele consiga mobilizar 10% destes eleitores. Assim, um comício deste candidato reunirá em tese 2 milhões de pessoas (dez por cento do total de vinte milhões que irão votar nele).

Uma análise precipitada irá concluir que o Candidato B é favorito, pois ele mostrou-se capaz de colocar 2 milhões de pessoas nas ruas contra apenas 400 mil do Candidato A. Ocorre que estes números estão medindo capacidade de mobilização de eleitores que já se decidiram em quem votar. Estes números não medem a intenção de voto do conjunto dos eleitorado.

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A estratégia correta é buscar o eleitor que ainda não se decidiu

Isto tudo posto, entendemos que manifestações e comícios podem ser importantes para impactar a opinião pública, mas equivalem a “pregar para convertidos” no que diz respeito à eficácia de uma estratégia eleitoral.

Pois o objetivo primeiro de uma estratégia eleitoral bem-sucedida é buscar o voto do eleitor que ainda não se decidiu. Como fazer isso? Quando se é oposição, deve-se fazer o que Jair Bolsonaro fez em 2018: vocalizar os problemas da população, criar empatia com o eleitorado, apontar os culpados e responsáveis e mostrar as soluções.

Quando se é incumbente, como é o caso atual do Presidente Bolsonaro em busca de sua reeleição, deve-se antes identificar os problemas, deve-se também criar empatia com o eleitorado, mostrar sensibilidade diante destes problemas, e apresentar de imediato soluções ainda que emergenciais para minimizar tais problemas, e procurar convencer o eleitorado de que ele, o governante incumbente, é o melhor preparado para implementar as soluções definitivas em seu segundo mandato.

Em nosso entender, a atual estratégia de comunicação do Governo Federal e as opções que estão sendo feitas na pré-campanha do Presidente Bolsonaro estão ignorando estes elementos todos mencionados aqui, o que poderá colocar em risco as possibilidades de reeleição do presidente.

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