por andrea sydorak e paulo eneas
Desde que assumiu o poder na Rússia há mais de vinte anos, Vladimir Putin vem tentando russificar a Ucrânia. Estas tentativas incluem esforços constantes para tornar a língua russa o idioma oficial da Ucrânia. Ao longo deste período, Vladimir Putin não se furtou em interferir na política interna ucraniana, por meio da manipulação de eleições visando eleger governantes ucranianos aliados a Moscou.

Quando em 2014 os ucranianos perceberam mais claramente as tramas e intenções do ditador russo, derrubaram seu aliado, o então presidente Victor Yanukovicz, no movimento de massas que ficou conhecido internacionalmente como EuroMaidan. Em retaliação a este movimento ucraniano de caráter soberanista, o ditador russo, que já foi agente ativo da KGB, fomentou um movimento separatista na região ucraniana de Donbass, na fronteira com a Rússia.

O estímulo ao movimento separatista pró-Rússia no Donbass refletiu a opção de Vladimir Putin de não promover uma invasão direta da Ucrânia naquele momento, por conta da reação que poderia ocorrer no Ocidente, uma vez que tal invasão iria ferir o tratado que ficou conhecido como Memorando de Budapeste, do qual a Rússia é um dos signatários.

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O tratado foi assinado em dezembro de 1994 em Budapeste, capital da Hungria, e envolveu as garantias de segurança dadas pela Rússia, Estados Unidos e Reino Unido à Ucrânia, à Bielorrússia e ao Cazaquistão para a adesão destes três países ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.

Pelo tratado, as três potências nucleares signatárias comprometiam-se a não promover agressão militar contra a Ucrânia, Bielorrússia ou Cazaquistão, desde que estes países abrissem mão de seus arsenais nucleares herdados após o fim da URSS. O armamento nuclear que estava em posse destes três países foi entregue à Rússia dois anos depois da assinatura do Memorando de Budapeste.

O tratado resultou basicamente de uma enorme pressão internacional, especialmente sobre a Ucrânia, em troca de garantias de que o país teria sua soberania, sua independência e sua integridade territorial respeitadas. Ao invadir a Ucrânia este ano, com a “permissão” de Joe Biden, a Rússia descumpriu o tratado.

Logo após a deposição de seu governante puppet Victor Yanukovicz pelo movimento do EuroMaiden, a solução ardilosa encontrada por Vladimir Putin, em 2014, para contornar o Memorando de Budapeste foi contratar, financiar e fornecer armas ao grupo de mercenários denominado Wagner Group para que iniciasse o movimento separatista pró-Rússia na região ucraniana do Donbass.

O Wagner Group é uma milícia internacional que responde diretamente a Vladimir Putin, já tendo atuado em várias partes do mundo seguindo determinações diretas do ditador russo, incluindo o leste europeu e em países africanos.

Seus mercenários são acusados de cometer atrocidades na Geórgia e na Chechênia, e também na Síria, onde há suspeitas da prática de crimes de guerra a mando do Kremlin, que desta forma blindou os soldados de suas forças regulares pelo cometimento destes crimes.

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Deve-se observar que até a deposição de Victor Yanukovicz, não existia nenhum movimento de independência na região do Donbass. O separatismo teve início justamente após o EuroMaiden e com a chegada dos mercenários do Wagner Group. Inicialmente, a Rússia negava qualquer envolvimento com os tais separatistas, mas imagens de satélites mostravam a movimentação e o apoio das forças russas aos mercenários.

Uma das provas que escancarou o envolvimento de Moscou com o movimento separatista do Donbass foi o avião civil holandês derrubado por um foguete russo. Obviamente, como de costume, a Rússia acusou a Ucrânia, que rapidamente cercou o local e convocou comitês internacionais independentes para comprovar que a derrubada da aeronave havia sido provocada por mercenários utilizando armas russas.

Mesmo sendo signatários do Memorando de Budapeste, o então presidente norte-americano Barack Obama e os demais chefes de governo de outras potências na época nada fizeram em relação à invasão russa no Donbass, limitaram-se a declarações protocolares e aplicações de algumas sanções a Moscou.

À medida que o conflito no Donbass se acirrava, a população da região começou a ser evacuada. Ainda assim, cerca de 15 mil civis e militares ucranianos morreram entre 2014 e 2022 naquele conflito. No início do movimento separatista, um grupo de voluntários ucranianos, incluindo egressos da Guarda Nacional Ucraniana, formou na cidade de Mariupol o chamado Batalhão de Azov, nome derivado do Mar de Azov, que banha esta cidade costeira ucraniana da região do Donbass.

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Diferentemente do que veicula a máquina de propaganda e desinformação russa no Ocidente, o Batalhão Azov combateu os mercenários do Wagner Group, conhecidos pela suas atrocidades e violência, uma vez que atuam fora das normas de guerra estabelecidas pela Convenção de Genebra, e não a população local do Donbass que, mesmo sendo em parte descendente de russos, são cidadãos ucranianos.

O Batalhão de Azov obteve bastante sucesso nos combates aos mercenários no início da invasão russa camuflada ao Donbass, o que certamente levou o Kremlin a adotar uma estratégia baseada naquilo que os herdeiros da antiga União Soviética mais sabem fazer, além de promover genocídios: gerar e espalhar desinformação. Desta forma nasceu a lenda de que o Batalhão Azov seria uma milícia neonazista.

O próprio ditador Vladimir Putin endossou esta narrativa ainda este ano, após a invasão “oficial” da Ucrânia pela Rússia, ao afirmar em evento público em Moscou alusivo ao fim da Segunda Guerra Mundial, que guerra promovida pelo Kremlin contra os ucranianos, chamada eufemisticamente de Operação na Ucrânia, teria por objetivo desnazificar aquele país.

Cumpre observar que desde o final da Segunda Guerra Mundial, que os russos chamam oficialmente de Grande Guerra Patriótica, uma das principais estratégias de desinformação adotada pelo Kremlin consiste em rotular de nazista qualquer força política, militar ou movimento cultural que a ditadura russa possa considerar como sendo sua inimiga.

No esforço de associar a resistência ucraniana no Donbass como sendo nazista, a propaganda russa associou o símbolo da Batalhão Azov à suástica. Ocorre, porém, que o brasão nada mais é do que a união das Letras “I” de ideia e “N” de nação. Embora o N não exista com esta grafia no alfabeto cirílico – que é o usado na Ucrânia – acabou sendo utilizado na forma latina pois, dependendo da perspectiva que é observado, remete à letra Z. Além disso, o efeito visual possibilita visualizar ainda a letra A, de AZOV.

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A propaganda tem sido uma arma largamente usada pela Rússia, que chegou inclusive a gravar e divulgar na internet vídeos encenados simulando o Batalhão Azov. Mas aqui novamente o Kremlin emprega a máxima atribuída a Lenin, que exorta os comunistas a sempre acusar os outros daquilo que eles, os comunistas, fazem. Assim, a propaganda russa, sempre voltada ao Ocidente, passou a acusar a Ucrânia de promover vídeos encenados.

O fato é que após quase oito anos de embates, quando a vitória da resistência ucraniana no leste do país contra os russos, apresentados como separatistas, já estava praticamente consolidada, Vladimir Putin decidiu invadir todo o restante da Ucrânia em março deste ano, com a aquiescência e concordância de Joe Biden.

O papel desempenhado pela OTAN
Uma das justificativas apresentadas pela Rússia para o atual conflito seria a tentativa dos ucranianos de entrar para a OTAN. Ocorre que não existe nenhuma lei internacional que impeça os ucranianos de seguir o caminho destas outras nações que circundam suas fronteiras.

Polônia, República Checa, Romênia, Bulgária, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Lituânia, Letônia, Albânia, Croácia, Montenegro e Macedônia, todos países vizinhos da Ucrânia e que buscaram a entrada na OTAN a partir de 1999 para se proteger das ameaças de agressão militar por parte de Vladimir Putin. A maioria destas nações aderiu à aliança militar ocidental em 2014, após a invasão russa do Leste da Ucrânia.

A Rússia é temida na região por conta de suas ambições expansionistas. Desde que Vladimir Putin assumiu o poder em Moscou, a Rússia já promoveu conflitos sangrentos por duas vezes na Chechênia e na Georgia, além de fomentar e financiar levantes russófonos em outras ex-repúblicas soviéticas.

O ditador russo com histórico de agente da KGB apoia o igualmente ditador da Bielorrússia, que enfrenta ampla rejeição da população de seu país e que o quer ver fora do poder. Em entrevista concedida ao jornal português O Observador, o ex-presidente da Rússia e aliado de Vladimir Putin, Dmitry Medvedev, afirmou que o objetivo do anão da KGB que comanda o Kremlin, é criar uma “Eurásia de Lisboa a Vladivostok”.

A concretização deste objetivo somente poderá ser alcançada com uma invasão russa de toda a Europa, do leste até Portugal. Obviamente a entrada da Ucrânia na OTAN praticamente inviabilizaria a ambição de Vladimir Putin de dominar todo o continente europeu.

Os planos da Rússia também incluem os países do BRICS, do qual o Brasil faz parte. Em fevereiro deste ano, o ministro das relações exteriores da Rússia, Seguey Lavrov, disse que estes países formarão a Nova Ordem Mundial (NOM) junto com a Rússia e a China, conforme pode ser visto neste vídeo aqui.

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O papel da Igreja Ortodoxa Russa

A Igreja Ortodoxa Russa era a única permitida durante o regime soviético e desde então tem sido utilizada para manipular o povo russo. Nos últimos anos, os ucranianos vêm tentando romper com o Patriarcado de Moscou. Em 2019, com o apoio do Patriarcado de Constantinopla, o ex-presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, foi um dos principais responsáveis por convencer as comunidades cristãs ortodoxas ligadas aos russos de quebrar este vínculo, o que resultou no maior cisma já visto na Igreja Ortodoxa.

O primeiro passo para este cisma foi a concessão da autocefalia à igreja ucraniana pelo patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, criando assim a Igreja Ortodoxa Ucraniana. Porém, algumas comunidades da Ucrânia ainda mantinham vínculos com Moscou. Após a invasão russa, muitos já estão mudando de percepção. Com o avanço da guerra de agressão, várias igrejas da Ucrânia decidiram romper com o patriarcado russo e associarem-se à Igreja Ortodoxa Ucraniana.

Uma das principais provas de que a Igreja Ortodoxa Russa serve à ideologia comunista é o fato de que em seus templos, inclusive na catedral militar construída recentemente por Vladimir Putin, são expostas imagens do assassino Josef Stalin como se ele fosse um santo a ser venerado.

Josef Stalin foi o mentor e o executor do Holodomor, terrível holocausto que matou de fome cerca de sete milhões de ucranianos entre os anos de 1932 e 1933. Historiadores afirmam que durante seu governo, Stalin vitimou cerca de 20 milhões de pessoas, todas civis. Kiril, o patriarca da Igreja Ortodoxa Russa é fiel aliado de Vladimir Putin e prontamente se manifesta quando o ditador precisa do apoio “religioso” para suas investidas.

E não poderia ser diferente, pois é Vladimir Putin quem comanda de fato a religião na Rússia. Quando assumiu o poder, em 1999, nomeou como padres seus antigos subordinados e aliados oriundos da KGB. Deve-se observar que nas Igrejas do Oriente, de modo geral, os padres podem ser casados. Andrea Sydorak é jornalista brasileira descendente de ucranianos.

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